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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

23
Mai22

Por aqui e por ali 132

Zé Onofre

                     132

 

011/---/----, Biblioteca, EB2.3 – Vila Caiz

 

Almas perdidas,

Folhas primaverilmente arrancadas

Do tronco da vida.

 

Que sonhos perdeis

No vendaval de palavras

Que vos afasta da aventura de viver?

 

Almas perdidas,

Folhas primaverilmente arrancadas

Do tronco da vida.

 

Que sonhos inventareis

Sob um vendaval de palavras

Que não vos deixa viver?

 

Almas perdidas,

Folhas primaverilmente arrancadas

Do tronco da vida.

 

Que sonhos ireis viver

Se o vendaval de palavras

Vos suga a seiva da vida?

  Zé Onofre

22
Mai22

Por aqui e por ali 131

Zé Onofre

                   131

 

011/05/17, Biblioteca EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

     Hora do conto

 

Falamos, falamos, …

Sons perdidos no vento, sem rumo, sem destino, sem vida.

Balões vazios, corrente de ar à procura de um destino.

Falamos, falamos, …

As palavras perdem-se num deserto de ouvintes ausentes em parte incerta.

  Zé Onofre

21
Mai22

Por aqui e por ali 130

Zé Onofre

                 130

 

011/04/07, Biblioteca EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

Olho as coisas.

Não vejo, o que vejo.

Vejo o que a vida

Põe por de trás

Das coisas que olho.

 

Mitos de uma memória

Que cria um passado

Que não existiu.

 

Todavia é este que vejo

Para além das vidraças,

Para além das árvores,

Naquele telhado vermelho

Suspenso do azul.

  Zé Onofre

20
Mai22

Por aqui e por ali 129

Zé Onofre

               129

 

011/03/21, Biblioteca, EB2.3, Vila Caiz

 

Vindes

Folhas desgarradas,

Perdidas das origens,

Sem rumo nem destino.

 

Que ventos vos trouxeram?

 

Vindes

Folhas caídas,

Arrastadas no vento,

Num tempo que não viveis,

Para um espaço que vos recusa.

 

Que sonhos, sonhais

Neste rodopiar?

Que pesadelos viveis,

Neste poiso que não escolhestes?

Zé Onofre

19
Mai22

Por aqui e por ali 128

Zé Onofre

128

 

011/02/25, Biblioteca EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

Silêncio …

Que bom ouvir o fluir das raízes

Nas entranhas da terra,

Os segredos dos ventos

Nas folhas macias,

O canto das aves

No cimo da madrugada,

O luar

No orvalho verde do anoitecer,

O cintilar das estrelas

Na brisa do infinito,

O crepitar do Sol

Nas sombras do amanhecer.

  Zé Onofre

 

18
Mai22

Por aqui e por ali 127

Zé Onofre

                 127

 

011/02/12, EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

Olhemos as páginas escritas.

Nelas nada há de sonhos,

Nada há de mistérios,

Nada há de aventura.

 

Corramos pelas páginas brancas

Em busca do vento,

Em busca das labaredas,

Em busca do infinito,

Em busca do desconhecido.

 

Se de repente

Na esquina alva

De uma linha por escrever,

Nos aparecer a luz,

Nos surpreender uma sombra,

Tropeçarmos numa mágoa,

A subtileza de um amanhã,

Teremos então a certeza

– A viagem não foi em vão. –

  Zé Onofre

17
Mai22

Por aqui por ali 126

Zé Onofre

                 126

 

2008/09/02

 

Bendito silêncio,

Dimensão plena do som.

Bendito silêncio,

Viagem além das nuvens e dos horizontes.

Bendito o silêncio,

Caminho para o longe de nós mesmos.

Bendito o silêncio,

Dimensão da eternidade.

Obrigado silêncio, pelo que me dás.

Obrigado silêncio, por me ajudares a manter a serenidade.

  Zé Onofre

16
Mai22

Por aqui e por ali 125

Zé Onofre

                 125

 

2004/07/30, Amarante

 

Para amanhã,

Que não é um amanhã

Um – Julho, trinta e um –

Mas todos os amanhãs

Mesmo que não sejam trinta e um.

 

O silêncio

É o estado natural.

Estas palavras mudas,

Falarão, viverão amanhã

– Fúria ou doçura 

De acordo com uns olhos

Uns –

Que não é só um amanhã,

Trinta e um,

Mas muitos outros

Mesmo que não sejam trinta e um.

 

 P.S. Quando uma pessoa dá a alma, mesmo que pobre seja, dá o máximo que pode dar.

  Com amor Zé (2004/07/31)

Zé onofre

15
Mai22

Por aqui e por ali 124

Zé Onofre

                 124

 

2003/12/11, sobre o Projecto Curricular de Turma

 

               I

 

Em papel nos fazemos,

Em papel nos enredamos,

Em papel nos perdemos,

Em papel nos anulam,

Em papel nos escondemos,

Em papel nos revelam.

 

               II

    

De papel nos vestimos,

Atrás de papel nos escondemos,

Alunos que nunca vimos,

Nem sabemos.

 

Não sabemos os teus anseios,

Na Primavera da inocência,

Não sabemos do vosso sonhar,

Nos despertares da adolescência.

 

De vós sabemos apenas

O que cegos avistamos,

Não queremos saber

O que de vós quereis que saibamos.

 

De papel nos vestimos,

Atrás de papel nos escondemos

Alunos que nunca vimos

Nem sabemos.

 

Não sabemos dos vossos sonhos,

A voar alto nas asas do vento.

Não sabemos das vossas alegrias,

No rodar inconstante do pensamento.

 

Não sabemos das vossas tristezas

Que como fumo nascem e voam.

Não sabemos das pequenas vidas

Que forjais nos dias que passam.

 

De papel nos vestimos,

Atrás de papel nos escondemos

Alunos que nunca vimos

Nem sabemos.

 

                III

 

Papel, papel, papel,

Tudo é papel.

  Zé Onofre

14
Mai22

Por aqui e por ali 123

Zé Onofre

                    123

 

2003/__/__

 

Se não fosse a curiosidade

Que vem

Não se sabe de onde

 

Da pedra fortuitamente

Lascada

Não teria havido o machado,

 

Nem da faísca casual

Surgiria

O fogo sagrado.

 

Se não fosse a inquietude

Que vai

Não se sabe até que além,

 

Na martirizada Suméria

A escrita

Não teria tido o seu natal,

 

Nem teria havido pirâmides,

Nem Grécia,

Nem Roma Imperial.

 

Se não fosse este sonho

Que nos empurra

Sempre para mais e mais longe,

 

A escravatura seria

Ainda

A lei e a ordem,

 

O privilégio seria a norma

Não haveria

A declaração Universal dos direitos do Homem.

  Zé Onofre

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