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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

31
Out21

Daqui e por ali 1

Zé Onofre

                   1

 

Sem data

 

  • Apenas se compreenderá a avaliação por equipas de avaliação, se estas tivessem trabalhado em grupo.

Assim, o professor está isolado e terá que arcar com toda a responsabilidade. O outro colega assina, já que a sua opinião, como não poderia deixar de ser, não é vinculativa. É apenas um proforma legal.

Criem-se equipas pedagógicas e então será possível. Até lá, batatas.

Não é avaliação que falha. O fim é consequência do caminho.

  • Sempre a ameaça, já é de mais.
  • E os exames obrigarão os professores a fazer bem o que deveria ser feito?
  • Exames

Chicote levantado ao horizonte,

Intimidação.

O professor

Assustado,

Abre as pernas,

Baixa as calças

E diz

- Sim.

 

30
Out21

Penafiel 74

Zé Onofre

                    74

 

15/06/978

 

Ouve,

Nem sempre o cinzento quer dizer

Inverno.

Às vezes,

Apenas,

O cinzento quer dizer

Inverno.

No céu o cinzento,

Às vezes,

Quer dizer chuva,

Mas só às vezes.

 

Ouve,

Do cinzento nasce

O sol,

Do sol nasce a vida.

Nem sempre

O cinzento quer dizer

Inverno.

  Zé Onofre

29
Out21

Penafiel 73

Zé Onofre

                     73

 

___/___/978

 

O método científico na análise da Batata

 

Iª Fase – a preparação.

 

Verificar se é boa a batata.

Esterilizá-la bem esterilizada.

Ter cuidado com a bata

Não vá estar conspurcada.

 

Ter muito cuidado com as mãos.

É necessário que estejam desinfetadas.

Chama-se também atenção

Para as ferramentas a serem usadas.

 

 

A tina, o bisturi, a lamela,

O microscópio, o próprio laboratório

Será mesmo conveniente fechar a janela

Não se vá introduzir algum micróbio.

 

Continuemos o nosso trabalho, então.

Com muito cuidado e leveza,

Rapidez e bom golpe de mão

Descasquemos a batata com destreza.

 

Na tina, em água esterilizada,

Introduzimos a batata a demolhar.

Entretanto na mesa preparada

Meditamos em hipóteses a verificar.

 

IIª fase – a hipótese

 

Que será que a batata tem?

Terá açúcares, sais minerais?

Ou será algo em que ninguém

Pensou ainda jamais?

 

Não! Já sei. Eureka. Descobri.

Começo a ver, então, imagens

Penso aquilo que nunca vi.

Enche-se-me a cabeça de miragens.

 

Será certo o que vejo de repente?

Uma enorme gota de suor

Que cresce constantemente

E se torna cada vez maior?

 

Penso de maneira diferente.

Tento outro , com outro olhar

Já não é só o suor que se pressente,

É também um povo a trabalhar.

 

Vejo Trás-os-Montes. Num relance

Todas as courelas do meu país a correr.

Enche-se-me o peito de ar, fico em transe,

Sinto-me sufocar, nem sei que fazer.

 

IIIª Fase – a verificação

 

Mas não quero crer ainda. Não quero crer.

Corro para a tina, preparo o material.

Pego no microscópio, sempre a correr.

Acalmo os nervos, não vá ver mal.

 

Vi. Vi claramente visto

Sem dúvidas com toda a clareza

Naquele pequeno, minúsculo interstício

Toda a nossa miséria e grandeza.

 

Vi sangue – sangue senhores de escravos.

Vi azorragues, naus e caravelas.

Vi pimenta, canela, noz-moscada, cravo.

Muito mais vi naquela pequena lamela.

  Zé Onofre

28
Out21

Penafiel 72

Zé Onofre

                     72

 

___/___/978

 

Quando pode acontecer

A uma petiza,

Nascida para a vida,

A fome,

Ou o frio

Então

É o lixo!

 

Esta é como uma flor.

Se lhe tocam as abelhas

E o pólen cai

Germina-o sem medo

Do tempo.

Se as moscas,

Com as suas patas pernas viscosas,

A roubam,

Cedo aborta,

De corola desfolhada,

Outras flores

Nascidas para tudo

Ou para nada.

 

Que tempo

Que lança fora,

Na lixeira,

O viço da vida.

 

Que lixeira a de aqueles,

Que se gabam de serem defensores dos bons costumes

Lhe exploram tudo.

Ou serão os pais,

Que trabalham,

Que deixa atirar as suas flores

À lixeira?

  Zé Onofre

26
Out21

Penafiel 70

Zé Onofre

                  70

 

___/04/978

 

Quero cantar

Os gitos 

Feitos pedras

Nos dias abjetos

A que chamamos viver.

 

Quero cantar

Hoje

Não as prostitutas

Os operários,

Os bairros de lata,

As crianças abandonadas,

Os velhos dos bancos do jardim.

 

Quero apenas cantar

Os humildes

Que vivem na sombra

Dos telhados

Das casas mortas.

 

Quero cantar

A mulher feita objeto,

Corpo de prazer,

Jarra, ornamento.

 

Quero cantar

Aquele homem

Que vive de terra em terra,

Sem terra,

Sem casa,

Que morre

Nas bermas da opulência.

 

Quero cantar

Aquele vagabundo

Que bebe

Estrelas de luar.

 

Quero cantar

As flores do jardim,

As estrelas,

O sol,

A solidão,

Companheiros

De quem morre em vida.

    Zé Onofre

25
Out21

Penafiel 69

Zé Onofre

                    69

 

___/04/978

 

Acordado nas sombras da noite

Pra ver o sol despertar.

Quero cantar belas canções

Para as calar nos teus abraços.

Quero sentir o teu amargo travo,

Sentir o teu sangue a correr

O teu corpo a tremer

Cobri-lo de flores e cravos.

 

Quero amanhecer-te com sorrisos,

Com sons leves de acordar,

Com a primeira luz da aurora

Ou com o último raio da estrela da manhã.

 

Quero o teu amor no crepúsculo do sol,

Quero ouvir o teu grito

Em noites de luar,

Quero cobrir o teu corpo

Com beijos de encantar.

  Zé Onofre

23
Out21

Penafiel 69

Zé Onofre

                  69

 

___/04/978

 

Uma das criaturas

Está

Lá ao fundo

Sentado na cátedra

Bispo da ignorância

E da flatulência.

 

Está

Lá ao fundo

Com ar inteligente

De quem tudo sabe,

Tudo entende

Macaco da sabedoria.

 

Está

Lá no fundo

Sentado

Com seu ar estudado

Pide da inteligência.

 

A outra das criaturas

Falou.

Das baboseiras que disse

Palavras plenas de bafio salazarento

Destilou veneno.

 

A repressão,

Velho bolorento,

É sempre a repressão

Que chicoteias

Em cada palavra silabada.

 

A repressão

Que sibilas

É a tua essência,

Não é vento esporádico

Que sopras por acaso.

 

Olho-vos e oiço-vos.

Desespero da vida

Na dor da morte.

Só a loucura

Na aurora da noite

Me mantém Lúcido.

Vós sois a morte

No jardim dos vivos.

Zé Onofre

22
Out21

Penafiel 67

Zé Onofre

                67

 

03/04/978

 

  • A criança tem prazer em escrever se quem a lê tem prazer na sua leitura.
  • Não se pretende passar da matemática da alienação para a alienação da matemática. Pretende-se “construir” uma matemática que seja o reflexo das relações quantitativas entre  os objectos e as pessoas.
  • Generalizar o conceito de número é saber que uma determinada fórmula – 6+5 – traduz situações concretas de vida as mais variadas.
  • Uma actividade interessante será criar uma “história” à volta de uma determinada fórmula – 2x7.
  • Jogar o número “quantidade” com o símbolo “qualidade”. 
  • De mãos dadas

        Vão na procissão

         Muito alinhadas

        Passo certo ou não.

 

      Vai o filho mais velho 

      Com a sua bandeira -----------------1

      A abrir a procissão

       De uma certa maneira

 

A servirem-lhe de pajens

Duas manas donairosas

Com a sua bandeira -------------------2

Coroada com duas rosas.

 

Logo atrás vêm

Três palhaços aos tropeções.

Com a sua original bandeira -----------3

Fazem rir as multidões.

 

Cinco solteirões mal

Encarados, rezingões,

Com a sua bandeira ---------------------5

Levam tudo aos empurrões.

 

Cuidado, muito cuidado,

Gritaram quatro criancinhas

Levantando a sua bandeira. -------------4

Não gostaram das gracinhas.

 

Muito tristes,

Muito zangadas,

Saem da procissão

De caras levantadas.

       Zé Onofre

 

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