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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

31
Dez21

Por aqui e por ali 33

Zé Onofre

              33

 

986/04/12, largo da Livração 

 

Vinham em bandos.

Ocupavam o largo,

Bando de abutres

Dos dias de um ano.

 

Vinham em bandos.

Ensombrar o Verão

Aspirar o doce aroma das tílias

Que era nosso.

 

Hoje,

Já não vêm em bandos.

Aves desgarradas

Pousam com medo

Os pés no largo.

 

Hoje,

Finalmente,

O largo é nosso.

   Zé Onofre

29
Dez21

Por aqui e por ali 31

Zé Onofre

               31

 

986/01/06, confeitaria Mário, Amarante

 

Enquanto o manto cinzento

Cobre o tempo.

Enquanto as árvores nuas

Despem a terra

Vou dizendo

A minha angústia de saudades de criança.

 

Enquanto o cinzento

Cobre o arco-íris do Verão.

Enquanto as árvores nuas

Sonham a Primavera,

Construo sonhos ao entardecer.

       Zé Onofre

27
Dez21

Por aqui e por ali 29

Zé Onofre

               29

 

986/01/06, confeitaria Mário, Amarante

 

Aqui estou,

Mais uma vez,

Tâmega.

 

Aqui estou,

Mais uma vez,

Tâmega

A ouvir os sussurros,

Urros,

Das tuas águas.

 

As tuas águas,

Não são águas,

São sangue.

 

Sangue

Que percorre o meu corpo

Desde criança.

 

Sangue

De homem apaixonado pela tua mensagem.

Mensagem

Que vem do fundo do tempo.

Mensagem

De paz, nas tuas águas.

Mensagem

De vida e beleza.

 

Benditas as tuas águas,

Tâmega,

Que sussurrantes

Lembram contos de reis e de fadas,

Lendas de mouras encantadas,

Sonhos de amor por realizar.

    Zé Onofre

23
Dez21

Por aqui e por ali 28

Zé Onofre

               28

 

985/10/07, confeitaria Mário, Amarante

 

Tâmega,

Rio de sons

A lembrar o futuro.

Tâmega,

Sons de Inverno

A lembrar o Verão.

Tâmega,

Sons do presente

Lembranças da infância.

Tâmega,

Lágrimas,

Saudades de gente

Que se foi

Nos meandros da vida.

Tâmega,

Imagem do passado,

Ânimo,

Alma para continuar.

Tâmega,

Repouso do dia-a-dia.

  Zé Onofre

 

22
Dez21

Por aqui e por ali 27

Zé Onofre

               27

 

985/09/21

 

O sol bate lá fora.

Nas águas calmas de Setembro

A dourada cor.

 

Cá dentro

A voz monótona de uma explicação,

E o riso cristalino da juventude a despertar.

 

De repente o grito da vida

Na alegria feita

De amores pacificados.

 

Hoje

Águas calmas de Setembro

Em Outubro.

Cor dourada de Setembro

Em Outubro.

     Zé Onofre

21
Dez21

Por aqui e por ali 26

Zé Onofre

               26  

 

985/03/28, Marco, acção de formação sobre bibliotecas

 

         I

 

Ah,

Se o mundo

Fosse apenas a solidão.

Ah,

Se fosse apenas.

 

         II

 

Palavras,

Pedras nuas

À espera de carinho.

 

Palavras,

Arestas,

Gumes,

Sequiosas de sangue

Que as reguem.

 

Palavras,

Mãos nuas estendidas

À espera da esmola,

Do bulício …

Ou do silêncio apenas.

 

                                        III

 

Aqui ou ali, ontem ou amanhã, ou mesmo hoje Ivo estará sempre só.

E não só Ivo, como todos os Ivo deste mundo. Mesmo aqueles que não foram à guerra, mas são geradores de guerras.

Mesmo aqueles que medindo a distância em metros, apenas pensam em alcances de mísseis.

Mesmo aqueles que não sendo mutilados pensam o mundo sem onténs, ou amanhãs, mas no tempo eterno de uma explosão de neutrões.

Todos se sentirão sós por não se terem interrogado, antes de agir – que direito tenho eu de premir o gatilho, ou o botão? – e, mais ainda, quando nem um hipotético pastor houver para lhes perguntarem – quem são vocês?

E os outros, nós sós estamos por não fazermos a pergunta agora, enquanto há tempo e não eternidade. 

     Zé Onofre

20
Dez21

Por aqui e por ali 25

Zé Onofre

                          25

 

1985/03/18

 

Era uma vez …

Assim começariam as histórias de uma velhinha à lareira do meu sonho de histórias.

Era uma vez …

Assim se abria a porta à magia.

Era uma vez …

O abre-te sésamo do sonho

Da fuga para a frente

No caminho

Da vida.

Era uma vez …

Quando acordamos

O tempo

"Do era uma vez..."

Já la vai.

E com saudades,

Ou raiva talvez,

Digo

Era uma vez …

   Zé Onofre

    

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