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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

30
Abr22

Por aqui e por ali 110

Zé Onofre

                110

 

998/09/18

Alameda Teixeira de Pascoais, Amarante

 

Não sei se é esta angústia

Que me desespera.

Ou se desespero desta espera de nada esperar.

Não sei

Se as palavras de desespero,

Que uma a uma escrevo,

São sinal de desespero,

Ou apenas palavras desesperadas.

 

Não sei se as palavras

Ainda servem para unir,

Ou se já nem unem, nem separam,

Apenas balões de ar

Que o vento leva.

Não sei

Se foram as palavras que perderam

A magia, o sonho e o espanto,

Ou se fui eu que me esqueci de me maravilhar.

 

Não sei se esta mágoa

É mágoa verdadeiramente sentida,

Ou apenas mágoa fingida

De quem a já nada pode magoar.

 

Não sei se são as palavras

Que perderam o sentido,

Ou se sou eu que já não as sabe usar.

   Zé Onofre

30
Abr22

Por aqui e por ali 109

Zé Onofre

                    129

 

998/04/05

 

Quem?

Quem, e vindo de onde,

Nos veio roubar a esperança de sonhar?

 

Quem?

Quem, e vindo de onde,

Nos veio tirar a esperança de mudar?

 

Quem?

Quem, e vindo de que matadouro,

Decretou a morte dos sonhos?

 

Quem?

Quem, e vindo de que espécie de carcereiros

Ousou aprisionar as ilusões?

 

Quem?

Quem, e vindo de que degredo

Ousou sequestrar os sonhos,

No sótão das velharias,

No recanto dos brinquedos perdidos?

 

Quem?

Quem, e vindo de que passado obscuro

Nos enviou para este falso presente?

 

Quem?

Quem, de mente tresloucada,

Ousou dar-nos por presente,

Esta  vida de vil tristeza e solidão? 

       Zé Onofre

29
Abr22

Por aqui e por ali 108

Zé Onofre

128

 

997/12/20

 

Tempo,

Dai-nos tempo.

E o tempo passa

Sem tempo

Para dar ao tempo.

 

O tempo não passa.

Nós é que passamos pelo tempo.

O tempo está.

Usamos o tempo

Que o tempo nos dá.
  Zé Onofre

28
Abr22

Por aqui e por ali 107

Zé Onofre

               127

 

__/07/__, Penafiel, festa de fim de curso do Magistério de Penafiel

 

Hoje estais em festa.

Pensais que chegastes ao fim

E apenas iniciais o caminho.

 

Amanhã tereis a alegria

Que construirdes.

E parece tão fácil construir a alegria.

 

Encontrareis o perigo

Em cada esquina.

A cada passo tropeçareis

Com o futuro sem saberdes.

Tentareis o equilíbrio e avançareis

Sem terdes coragem de o enfrentardes.

 

Se tiverdes ainda coragem de parar,

De atrás voltardes

E vos restar força para recomeçar,

A alegria será vossa

E em cada dia inaugurareis

Um novo caminho.

  Zé Onofre

27
Abr22

Por aqui ed por ali 106

Zé Onofre

                  106

 

997/06/29

 

Descobri, hoje, que é maldição sonhar.

Os sonhos mais simples morrem

No desastre das nossas próprias mãos,

Ou no aperto insincero de mãos estranhas.

 

Não só é maldição sonhar,

Mas maior maldição é revelar

Os sonhos íntimos que se possam ter,

Os sonhos devem ser estrangulados

Com os primeiros raios do amanhecer.

 

Assim não haverá dias primaveris,

Nem Verões quentes em Novembro a morrer.

Assim teremos garantidos dias sem tempestades, …

Viveremos mortos sem alegrias, nem vontades.

  Zé Onofre

26
Abr22

Dia de hoje 105

Zé Onofre

                   105

 

997/06/14

 

Regresso

 

Hoje regressais ao passado.

Cada um de vós vieste ao encontro

Do vosso passado.

Hoje, cada um de vós visita,

Revisita as suas ilusões,

As suas esperanças,

Os seus sonhos.

Hoje regressais

Aos vossos vinte anos.

Aos vinte anos de cada um.

Em sorrisos, risos, de olhos perdidos,

Olhando-vos uns aos outros de longe,

Recordais, não o mesmo passado

Que em comum a vida por acaso vos deu,

Mas o passado que cada um construiu,

Ano após ano, dia após dia.

Um passado

Que cada um de vós construiu

À medida dos vossos sonhos,

Ou à medida do que a vida permitiu.

Passaram vinte e cinco anos.

E com eles muitos outros valores se alteraram.

Sonhos e esperanças,

Alegrias e tristezas,

Saudades, fantasias,

Desesperos, Melancolias.

É com estas vestes que hoje,

Vinte e cinco anos depois,

Regressais a um passado,

Em que o acaso vos juntou,

Num momento e num espaço.

Cada um de vós vem arranjado

Com as vestes

Que a vida lhe proporcionou.

   Zé Onofre

25
Abr22

Comentário 253

Zé Onofre

B253 --------- 248

 

022/04/25

 

Sobre a pena de uma provinciana por Concha em cronicasdochaosagado.blogs.sapo.pt.  2402.22.  

 

Algures,

Lá atrás, nos passos perdidos da infância,

Havia uma porta

Rodeada de mistérios

Como se fossem heras.

 

Algures,

Lá atrás, nos passos perdidos da infância,

Havia uma porta

Rodeada de mistérios

Como se fossem heras

Onde os meus olhos se perdiam.

 

Algures,

Lá atrás, nos passos perdidos da infância,

Havia uma porta

Rodeada de mistérios

Como se fossem heras

Onde os meus olhos se perdiam,

E as mãos se deliciavam a acariciar.

 

Algures,

Lá atrás, nos passos perdidos da infância,

Havia uma porta

Rodeada de mistérios

Como se fossem heras

Onde os meus olhos se perdiam,

E as mãos se deliciavam a acariciar,

E escutava, através da porta, sons desconhecidos.

  

Algures,

Lá atrás, nos passos perdidos da infância,

Havia uma porta

Rodeada de mistérios

Como se fossem heras

Onde os meus olhos se perdiam,

E as mãos se deliciavam a acariciar,

E escutava, através da porta, sons desconhecidos,

E o meu coração batia mais acelerado.

 

Quem me dera ter tido coragem

Algures,

Lá atrás, nos passos perdidos da infância,

Onde havia uma porta

Rodeada de mistérios

Como se fossem heras,

Ter visto mais longe das heras

Onde os meus olhos se perdiam,

Ter empurrado a porta

Que as mãos se deliciavam a acariciar,

Ter aberto a porta atrás da qual

Escutava sons desconhecidos,

Ter conhecido o que havia para lá da porta

Que fazia o meu coração bater mais acelerado.

    Zé Onofre

 

 

 

 

 

 

.

25
Abr22

Por aqui e por ali 104

Zé Onofre

              104

 

997/01/18, exercícios dramáticos preparativos de teatro, Casa Padre Gonçalo, Amarante 

 

Venho para ti de mãos nuas,

Vê.

Nem palácios, nem padrarias,

Nem ouro, nem pedrarias.

Nelas trago apenas

Amizade, carinho e amor

Com que pretendo cobrir-te.

 

Venho para ti demãos nuas,

De mãos nuas pretendo continuar.

Nelas quero, apenas, guardar de ti

A memória dos carinhos que trocamos,

A memória dos corpos cálidos que descobrimos.

Vim para ti de mãos nuas

Levo-as cheias de recordar.

        Zé Onofre

24
Abr22

Por aqui e por ali 103

Zé Onofre

              103

sd 

Que importa,

Sim que importa,

O vento ter segredos,

Se apenas os dirá amanhã?

 

Que importa

O vento segredar

Se já não o ouço?

 

Que importa

O vento soprar

Se não sou vela nem bandeira?

 

Que importa

O vento na campina

Se a seara já é colhida?

 Zé Onofre

24
Abr22

Por aqui e por ali 100

Zé Onofre

                     100

 

996/12/__

 

Janeiras, escola de Vilarinho, V. Caiz, AMT

 

Meu senhor, minha senhora, então que tal,

Nós cantamos, do jeito que sabemos.

Esperamos, tenham tido um bom Natal

Qu’este ano seja melhor assim o queremos.

 

Andamos a dar vivas de porta em porta,

Desafinando assim alegremente.

Mas a nós isso pouco importa

Desde que fique feliz a nossa gente.

 

Mas falemos do que aqui nos traz,

Nesta noite de Janeiro tão fria,

Andamos para a frente e para trás

P´ra que na escola haja mais alegria.

 

Já não temos mais assunto para cantar,

De repente ficamos sem ter que dizer,

Algum dinheiro, nos venham aqui dar

Desde já estamos a agradecer.

 

Pedimos, não demorem a abrir

A vossa porta acolhedora de par em par.

Já dissemos o que vínhamos pedir

Está na hora de para outra casa abalar

Zé Onofre

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