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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

03
Abr22

Por aqui e por ali 83

Zé Onofre

                83

 994/10/16

                 I

Que é

Do fogo ardente

Que iluminava o nosso caminho?

Que é

Da fúria

De fazer o futuro ontem?

Que tempo é este

Que levanta barreiras

Onde deveria haver, apenas, sonho e magia?

Que tempo é este

Que tudo macula?

Que tempo é este?

Que tempo,

Sem tempo

Para sonhar mais longe.

                II

Que bom,

Poder olhar o céu

Sem sonhos no olhar.

Que bom,

Poder apreciar a paz

Sem lágrimas nas palavras.

Que bom,

Pisar serenamente

As pedras da calçada.

                III

Quanto mais bom seria,

Incendiar de sonhos

O futuro,

Iluminar de pureza

O caminho,

Semear de flores

A gravidade dos dias.

  Zé Onofre

02
Abr22

Por aqui e por ali 81- 82

Zé Onofre

               81

 

994/07/04

 

- Qual a pressa?

Pergunta o cágado à lebre.

- Chegar cedo, para ter mais tempo para descansar.

- Então para que te cansas se o objetivo é descansar?

 

              82

 

994/07/12

 

De novo a tarde cai

Calma,

Colorida.

De novo a tarde cai,

A espera continua.

Serena,

Vagarosa

A tarde cai.

   Zé Onofre

01
Abr22

Por aqui e por ali 78

Zé Onofre

              78

 

993/06/26

 

O silêncio continua a ser o fio condutor

Que dá sentido à vida.

A ele, como náufrago, me arrimo

Para me proteger da fúria

Das palavras revoltas que me afogam.

Apenas o silêncio continua.

Já houve tempos em que as palavras

Geravam ilhas ou pântanos,

Que como lava queriam brotar.

Hoje o vulcão está tranquilo.

Apenas uma coluna subtil

De vapor de palavras se evola,

Sendo percetível ao noitecer dos sonhos.

    Zé Onofre

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