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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

31
Mai22

Por aqui e por ali 140

Zé Onofre

               140

 

2016/01/22, Escola EB1 de Igrja, Vila Caiz, Amarante

 

Uma escola renovada?

Não.

Um edifício renovado

Para transformar um “escola nova”

Na “velha escola”.

 

Onde os espaços da experiência?

Onde os espaços da multidisciplinaridade?

Onde os espaços dos trabalhos em equipa?

Onde o espaço para sonhar?

Onde o espaço para dar asas à liberdade criativa?

Quadros interativos que apenas não usam giz.

O cuspe continua, muito cuspe sempre,

E ainda, muito cuspe.

 

Um edifício renovado

À imagem e semelhança da Escola Velha

Que sepultou o espírito

Da Nova Escola.

   Zé Onofre

30
Mai22

Por aqui e por ali 139

Zé Onofre

             139

 

015/12/13

 

Um abraço à Rosinha e ao sr. Alves, pelos cinquenta anos de casamento, do Zé Onofre e da São

 

alves 2.jpg

 

A vida é uma árvore.

Ora tronco liso,

Cortado por fortes nós.

Sem os nós,

Seria monotonia.

Pleno de nós,

Seria um pesadelo.

 

A vossa vida desabrochou em ramos,

Que aos ramos, novos ramos se acrescentem,

Com delicadas flores

Que frutificarão em frutos,

Em sorridentes e preciosas alegrias,

Até ao infinito

   Zé Onofre

29
Mai22

Por aqui e por ali 138

Zé Onofre

              138

 

015/11/26, Marco de Canaveses

 

Esqueço

O que quero dizer.

Esqueço o que fui,

Porque não sei quem sou.

Não vejo o futuro,

Porque não vivo o presente.

 

Vegeto.

Vegetal animado de palavras e movimento,

Sem sonhos, sem esperanças.

Mais vegetal

Que a mais rasteira erva

Que os meus pés,

Sem destino, sem rumo,

Pisam.

  Zé Onofre

28
Mai22

Por aqui e por ali 137

Zé Onofre

                 137

015/10/31, Vilarinho, Amarante

 

Não me iludo,

“Sou pó”.

Não um punhado de pó,

Apenas uma partícula

Perdido na ventania da vida.

Não um punhado de pó,

Junto de outro punhado de pó,

De outro e outro ainda,

Num monte de pó,

Apenas uma partícula invisível

Nas tempestades da vida.

 

Empurrado para cima,

Arrastado para o fundo,

Rodopiado,

Pisado,

Soprado,

Pelos redemoinhos da vida.

Não me iludo.

“Sou pó”.

  Zé Onofre

27
Mai22

Por aqui e por ali 136

Zé Onofre

                   136

 

015/05/22, Colégio da Formiga, Ermesinde

 

Aqui estou

De visita a mim mesmo, outro.

Aqui estou

A olhar o que fui,

Naquilo que sou.

Olho sem olhar,

Vejo sem ver,

Ouço sem ouvir,

O que os sentidos agora sentem

Ao ver este espaço tão diferente.

Procuro entender

Onde estão os passos que dei.

Dei?

Onde os sonhos que vivi.

Vivi?

Onde as conversas que tive.

Tive?

Onde os carvalhos que os abrigaram?

Olho e não vejo o que vejo.

Olho e não vejo o que vi.

Assisto a um tempo parado

Que ficou lá atrás.

Estou aqui fora do espaço,

Parado no tempo

De visita a mim mesmo.

     Zé Onofre

26
Mai22

Por aqui e por ali 135

Zé Onofre

               135

 

015/01/03

 

Meu sonho de Tâmega,

A desaguar no Mississípi,

De águas salgadas cavalgantes,

Mortas nestas margens verdes 

Do Tâmega cada vez mais pequeno

E cada vez mais longínquo.

 

Meu sonho de calcorreador de mundos,

De planícies e de montanhas,

De nascentes e de fontes,

Soterrado nas margens desta estrada,

Que com os meus olhos alcanço,

Do alto deste monte

Cada vez mais pequeno,

Cada vez mais longe.

 

Meu sonho de guerreiro,

Che Guevara de novas Cuba

Morto na curva de uma estrada

A vigiar fantasmas

Que com astúcia e crueldade,

Nos empurraram lá para trás

Para os escombros do passado.

 

Meu sonho de mudar o mundo

Com a palavra, o sonho e a magia.

Meu sonho de ser Luzeiro,

Ser Freinet destes tempos,

Ser Brecht de novos palcos,

Ser profeta de novos mundos,

Caídos de inanição na margem da vida.

 

Meus sonhos,

Que azar o vosso

Serdes sonhados por mim.

    Zé Onofre

25
Mai22

Por aqui e por ali 134

Zé Onofre

                   134

 

013/04/20, Escola de Igreja, Vila Caiz, AMT

 

Não sei, Amor,

Com que linhas te desenhar.

Linhas de penhasco afiado

A trepar por encostas íngremes,

Ou de planuras a fugir para o horizonte?

Linhas de árvore esquelética de ramos ressequidos,

Ou de árvore de mata luxuriante?

 

 Não sei, Amor,

Com que cores te hei de pintar.

Com as cores de horizonte longínquo,

Ou da paisagem para lá chegar?

Cores de seara primaveril,

Ou de trigo em Junho a ondular?

Cores de sol em auroras em montes,

Ou como sol a mergulhar no mar?

 

Não sei, Amor,

Com que palavras te dizer.

Com palavras trémulas de jovem a improvisar,

Ou com as palavras tristes de adulto a declinar?

Com palavras simples mas sinceras,

Ou com palavras douradas vazias de sentir?

 

Não sei, Amor,

Com que sons te acariciar.

Se com os da brisa fresca da madrugada,

Ou com o do sussurro do entardecer?

Se com o do vento quente do meio-dia,

Ou com o do vento gélido do luar?

Se com o do crepúsculo das estrelas,

Ou com o estrondo das rochas no mar?

 

Não sei, Amor,

Não sei.
       Zé Onofre

24
Mai22

Por aqui e por ali 133

Zé Onofre

              133

 

012/12/07, Biblioteca Municipal de Amarante, Amarante

 

Nunca mais será Natal.

 

As luzes que me guiavam

Uma a uma vão caindo,

Não na gruta da esperança,

Caem no templo da desilusão.

 

Nunca mais será Natal.

 

Por mais cânticos que nas ruas O anunciem.

Por mais luzes que nas ruas O iluminem.

Não anunciam o Natal da Alegria,

Pranteiam o Seu funeral.

 

Nunca mais será Natal.

 

Apesar do musgo dos montes.

Apesar das saudades da infância,

Foi-se despedaçando pelo caminho.

Foi ficando lá atrás moribundo

Sob o peso da desesperança

De milhões de seres desapropriados

Da vida, da dignidade do ser pessoa

    Zé Onofre

 

 

23
Mai22

Por aqui e por ali 132

Zé Onofre

                     132

 

011/---/----, Biblioteca, EB2.3 – Vila Caiz

 

Almas perdidas,

Folhas primaverilmente arrancadas

Do tronco da vida.

 

Que sonhos perdeis

No vendaval de palavras

Que vos afasta da aventura de viver?

 

Almas perdidas,

Folhas primaverilmente arrancadas

Do tronco da vida.

 

Que sonhos inventareis

Sob um vendaval de palavras

Que não vos deixa viver?

 

Almas perdidas,

Folhas primaverilmente arrancadas

Do tronco da vida.

 

Que sonhos ireis viver

Se o vendaval de palavras

Vos suga a seiva da vida?

  Zé Onofre

22
Mai22

Por aqui e por ali 131

Zé Onofre

                   131

 

011/05/17, Biblioteca EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

     Hora do conto

 

Falamos, falamos, …

Sons perdidos no vento, sem rumo, sem destino, sem vida.

Balões vazios, corrente de ar à procura de um destino.

Falamos, falamos, …

As palavras perdem-se num deserto de ouvintes ausentes em parte incerta.

  Zé Onofre

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