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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

11
Jun22

Por aqui e por ali 148

Zé Onofre

               148

 

020/04/22

 

Por quê?

 

Porque será que o Universo

É tão avaro das fadas,

Das fadas verdadeiras,

Que dão cor à vida?

 

Por quê?

 

Por quê afastar as fadas

Que são faróis,

Pontos de referência,

Focos de bondade,

De solidariedade,

De amizade desinteressada.

 

Por quê?

 

Por quê Universo

Queres só para ti

Aqueles que lutam,

Que conseguem com a sua vida

Lançar sementes ao vento?

Sementes de fraternidade,

Sementes de verdade,

Que cuidam com carinho,

Com amor diligente

Os canteiros onde germina a semente?

 

Por quê?

Zé Onofre

10
Jun22

Por aqui e por ali 147

Zé Onofre

                  147

 

019/04/23, Amarante

 

Todos os anos risadas aladas                       

Esvoaçam por ruas, praças e vielas,

Levando saudades de alegria

Às sombras vivas, que cosidos

Com paredes e esquinas, se esgueiram da vida.

 

Todos os anos risadas francas,

Em desregrada alegria abrem

Nas paredes e nas sombras do passado

Caminhos floridos rumo ao futuro.

 

Nos bancos dos jardins despertam

Em velhos corações amarrotados pela vida.

Sonhos arduamente esquecidos no ontem

Que prometeu, e não trouxe, um mundo novo.

  Zé Onofre

09
Jun22

Por aqui e por ali 146

Zé Onofre

                146

 

018/10/06, Livração

 

Sons e palavras,

Sons e silêncios.

Fantasmas do passado,

Vindos de lá do início do tempo,

Em que os Homens

Inocentes viviam

No ser que eram,

Desconhecendo o ter.

 

Sons e silêncios,

Fantasmas dos tempos

Que foram seguindo

Levando na sua corrente os Homens

Que somos hoje.

 

Silêncio puro

Que transformamos em monstros

Palavrosos

Que manipulam e enganam,

Que nos engolem e nos excretam,

Lixo que somos.

 

Agora os fantasmas somos nós,

Aqui e agora,

Sombras que pensamos viverem.

Não passamos de mortos a brincar de vivos.

  Zé Onofre

07
Jun22

Por Aqui e por ali 145

Zé Onofre

              145

 

018/08/10, Casa de Xisto, Paredes de Coura

 

Silêncio,

É cristal puro

De transparências líquidas

Sem reflexos,

Sem refracções,

Apenas vibração única,

Suave,

Terna,

Onde as palavras nascem

De fonte pura,

 Límpida.

 

Palavras correntes,

Fio transparente,

Sem medos, nem mágoas,

Sem sombras, nem espinhos,

Apenas palavras exactas.

 

Silêncio,

Solar luminoso

Onde vivo e convivo,

Onde livremente o pensamento vai

De rocha em rocha,

De penedo em penedo.

 

Silêncio, borboleta arco-íris

Etérea de flor em flor,

Segredando palavras

Leves como aromas,

Perfumada com todos os perfumes

De Alecrim e rosmaninho,

Que o vento correndo

Espalha

Pelos velhos caminhos da aldeia,

Em dias de sol e amêndoas

   Zé Onofre

05
Jun22

Por aqui e por ali 144

Zé Onofre

               144

 

017/06/02, pensado na A4 vindo do Porto para Amarante

 

O rufar dos teus bombos, ó São Gonçalo,

Muito anima o meu sentir Português.

Diz – não és idiota luso-anglicano –

Mas ainda um irredutível “tuguês”.

03
Jun22

Por aqui e por ali 143

Zé Onofre

143

 

017/04/21

 

Desculpa, se sou um cometa que de longe-a-longe se atravessa na sombra do teu olhar.

Desculpa, pelas longas ausências onde fico escondido nos recantos de mim mesmo.

Desculpa, se me digo cometa quando sou, mais propriamente, asteroide que vagueia no espaço sem órbita e sem tempo.

Ainda pensei que talvez no infinito perdido onde me movo, talvez houvesse um astrólogo, astrónomo, cosmonauta, ou um ser espantoso que me corrigisse a rota, me desse um destino.

Porém os asteroides são corpos celestes errantes, vagueiam sem rota e sem razão até que se despenha algures por esse espaço sem fim.

02
Jun22

Por aqui e por ali 142

Zé Onofre

              142

 

017/02/28

 

Conseguistes tirar-me o sossego

Que não o “criticar”.

Conseguistes pôr-me a pensar

No que fui,

No que sou,

No que virei a ser.

 

Tudo o que fiz.

Tudo o que faço.

Nada trouxe,

Nada traz,

Que modifique a dolorosa realidade

Que vivemos.

 

Que adianta gritar ao vento,

Sou o que sou?

Que adianta gritar ao vento,

Igualdade, liberdade, fraternidade?

Que adianta gritar ao vento,

De cada um segundo as suas capacidades,

A cada um segundo as suas necessidades?

Que adianta gritar ao vento,

Amai-vos como eu vos amei?

Que adianta gritar ao vento,

Necessário, necessário,

Estritamente o necessário,

O extraordinário é demais?

 

Todos estes utopistas foram vencidos,

Inexoravelmente vencidos.

Um na Cruz,

Outros por aqueles,

Que os esmagaram sob muros,

Muros que construíram com mentiras.

 

Uns guilhotinaram impassivelmente

A Liberdade,

A igualdade,

A fraternidade.

Que força pode ter

Um pobre urso,

Fantasia animada,

Que desaparece com a luz?

 

Que me adianta, num mundo assim,

Gritar ao vento e ao mar,

Ao sol, às estrelas e à lua,

Sou o que sou?

  Zé Onofre

01
Jun22

Por aqui e por ali 141

Zé Onofre

               141

 

016/05/23

 

Tento esquecer o que fui.

Tento esquecer os sonhos que sonhei.

Tento esquecer a utopia que criei.

Tento esquecer o futuro que idealizei.

 

Porém no fundo,

Lá bem no fundo,

Há uma chama que teima em viver,

Por mais que a realidade a enterre,

Por mais pessimismo que a abafe,

Por mais que a esperança se esvaneça,

Teima em viver.

 

Não sei se o que mais me magoa,

É ela teimar em ser chama viva,

Ou eu ser incapaz de a esquecer.

Zé Onofre

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