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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

20
Ago22

Histórias para aprender a ler e a escrever - Livro I - Augusto

Zé Onofre

Augusto

 

AUGUSTO.jpg

 

Hoje saí de casa,

não quis saber de nada,

vim p’r’àqui

onde não ouça

a cada momento:

Augusto! Augusto!

como um tormento.

 

É assim todo o dia,

Todos os dias.

Augusto, p’ra cá!

Augusto, p’ra lá

parece que outro nome não há...

 

Mal chego a casa

Vindo da escola,

Com a sacola

Cansado das aulas,

E logo começa a cantiga

 

Augusto!

Augusto!

 

Augusto, vai à fonte!

Augusto, vai à lenha!

Augusto, vai ao monte!

E o Augusto … vai

mesmo que vontade não tenha...

 

Augusto!

Augusto!

Bem feito.

Hoje saí de casa

E não quis saber de nada.

 

Augusto!                                                             

Augusto!

 

O pior vai ser logo à noite

quando o escuro chegar....

Quem me vai deitar?

Quem me vai aconchegar?

Quem, os caracóis, me vai compor

e dizer com um sorriso:

Sonha com os anjos,

meu amor!

 

Augusto!

Augusto!

 

Será que ouço chamar?

Mãe,

é só pegar nesta tralhada

vou já

não demora nada!

 

 

Desenvolvimento

 

Frase – Ex.: O Augusto chegava a casa cansado das aulas.

 

Proceder como nos textos anteriores

19
Ago22

Histórias para aprender a ler e escrever - Livro I - O monte do Pastor

Zé Onofre

Monte do Pastor

 

O MONTE DO PASTOR.jpg

 

Há, numa aldeia,

Perdida das estradas

Mais conhecidas do país,

Um monte a que chamam

O monte do Pastor.

 

É um lugar calmo,

Verdejante,

Onde no verão

Corre uma aragem fresca

Que convida as crianças

Para as suas inocentes brincadeiras.

 

Lá, no cimo do monte,

Há um penedo

Que o tempo e o vento

Moldaram em forma de lobo.

 

Um lobo a chorar.

Dos buracos dos olhos,

Dois fios de água,

Escorrem pelo focinho.

É ali que nasce o ribeiro da aldeia.

 

Ora, conta-se que em tempos antigos

Um rei poderoso e malévolo

Se apaixonara pela princesa Uiara,

A sereia das águas doces.

 

O rei poderoso e malévolo

Pediu princesa Uiara em casamento.

Não,

Estou noiva do Príncipe Pastor.

 

Furioso, o malévolo rei

Foi ter com o Príncipe Pastor.

Exigiu-lhe,

Ameaçando-o,

Que desfizesse o noivado com Uiara.

 

O poderoso e malévolo rei

Arrastou o príncipe Pastor

Até à princesa Uiara

E ordenou-lhes que se separassem.

Não, disseram os dois à uma.

 

O rei ficou tão dentro da sua malvadez

Que enviou o Príncipe Pastor para a lua,

Agarrou a linda Uiara nos seus braços

E transformou-se em cabeça de lobo.

A princesa começou a chorar.

A água que escorre do penedo

São as suas lágrimas tristes.

 

Passados muitos anos,

Um jovem desconhecido

Passou pelo penedo. 

Sequioso encostou os lábios

Para beber a água fresca que corria.

 

Nesse preciso momento

Ouviu-se um forte uivo,

Do rei-lobo

Que sentiu que aqueles lábios

Vieram para libertar a Uiara.

 

Foi tão forte e tremendo o uivo

Que o penedo abriu uma fenda.

Pela fenda saiu Uiara.

De mão dada foi com o jovem desconhecido.

Pela fenda continua a jorrar água,

As lágrimas aprisionadas

Que o uivo libertou.

 

Desenvolvimento

 

Frase – Ex.: O uivo do lobo libertou a princesa Uiara.]

 

Proceder como nos textos anteriores

18
Ago22

Histórias para aprender a ler e escrever - Livro I - As pepitas de oiro

Zé Onofre

As pepitas de oiro

AS PEPITAS DE OIRO.jpg

 

Numa casa,

Junto a um moinho

Instalado num açude,

No rio que ficava lá no fundo do vale,

Vivia Cristina com o seu pai,

O velho Zé Moleiro.

 

Era uma vida quieta e parada.

Tratar da casa,

Ajudar o pai no moinho,

Pescar.

 

Esta rotina

Apenas era quebrada

Para ir ao outro lado do monte

Levar farinha, no velho burrico,

Aos fregueses do seu pai.

 

Conversar com antigas amigas da escola.

Na volta sentava-se num penedo,

No meio da encosta,

Para divagar e o burrito pastar.

 

Ao longe, por entre o verde das árvores

Via-se o palácio real,

O telhado doirado, as paredes de mármore

Ao sol com mil cores resplandecentes.

 

Numa dessas caminhadas

O seu olhar foi atraído para o caminho,

Por um brilho doirado

entre as areias maiores do caminho.

 

Parecia serem pequenos seixos do rio.

 

Curiosa,

Começou a juntar os pequenos seixos

Na palma da sua mão.

Brilhavam com uma cor,

Mais dourada do que a dos telhados do palácio

Lá de longe, entre o verde do arvoredo.

 

Chamou o burrito.

Sem saber nem o como,

Nem a razão,

estava a tocar a sineta de prata

Dos portões reais.

 

Um jovem.

Delicadamente perguntou.

– Que quer a bela moleirinha

A tocar a sineta de prata

Da minha residência?

– A moleirinha, no seu caminho,

Encontrou estas pedrinhas brilhantes

Como as telhas da sua rica residência.

Não sei o que são,

Mas que devem ser do menino?

 

– Oitavo,

O oitavo filho de meu pai.

– Sou a Cristina.

Essas pedrinhas o que são?

 

Essas pedrinhas, não são pedrinhas.

São bocadinhos de oiro, pepitas de oiro.

Alguém as apanhou, não sabendo o que eram,

Deixou-as cair no caminho.

 

Já fiz o que vinha fazer,

Vou-me até casa.

O meu pai, o velho Zé moleiro,

Deve estar preocupado.

– Adeus, Oitavo.

 

Ó linda Cristina,

Filha do velho Zé moleiro,

Não se esquece de nada?

Estendia-lhe a mão

Onde brilhavam

As pepitas de oiro.

 

– Pois as pedrinhas são minhas?

Pensei, belo Oitavo,

Que seriam do seu pai, o rei.

– Não o meu pai

Tinha direito a uma parte

Se fossem tiradas do rio.

Porém, como encontradas no caminho

São das quem as achou.

 

Dizendo isto pôs as pepitas de oiro

Na mão morena da moleirinha.

 

Antes que ela se fosse

Beijou-lhe a mão.

Oitavo ficou corado.

Os olhos de Cristina

Brilharam mais do que as pepitas de oiro

Zé Onofre

Desenvolvimento

Frase - Ex,: O Oitavo entregou as pepitas de oiro à moleirinha.] 

Proceder como nos textos anteriores

17
Ago22

história para aprender a ler er eswcrever - Livro I - A eira da quinta do Eixo

Zé Onofre

Na eira da quinta do Eixo

NA EIRA DA QUINTA DO EIXO - Cópia.jpg

Embora não fosse essa a sua graça

Todos lhe chamavam Teixeira.

O certo é que duma chalaça,

Ficou nome para a vida inteira.

 

No verão, nas tardes quentes e sem fim,

Ia até à quinta do Eixo, evitando a soalheira,

Sentar-se com os amigos Zindo e Quim

À sombra duma frondosa parreira.

 

Depois de gozarem a sesta

Levantaram-se para irem emedar

O centeio. Para ele era uma festa,

Para os amigos era só trabalhar.

 

Quase caíram se não fora a parreira.

Numa corrida louca o boi Amarelo,

O dócil Amarelo, correu para a eira,

Tomou conta dela como seu castelo.

 

Que ninguém se aproxime dizia

O Toninho. É só uma loucura

Breve. Lá para o fim do dia

Já passou. É coisa de pouca dura.

 

Ora o nosso amigo Teixeira

Não era paciente para esperar.

Devagar, com trejeitos à maneira,

Com uma panada de erva vai-lha dar.

 

O amarelo mantem-se espantosamente

Quieto. Cheio de vaidade vai o Teixeira,

Cheio de confiança, convincente,

Chega-se perto do boi no meio da eira.

 

Os caseiros do Eixo estavam espantados

Pelo que, pela primeira vez ali aconteceria

O Teixeira virava-se com o peito inchado

Pelo que fez e a que ninguém se atreveria.

 

Em má hora, virar costas ao boi, resolveu.

De raiva, com uma cornada, atira o rapaz pelo ar.

Subiu, subiu parecia que a meta seria o céu.

Um momento suspenso e todos começam a gritar.

 

Lá vem o rapazito com uma bala direto ao chão.

As pessoas calam-se. O traquina caiu na meda.

Deixa-se escorregar como se fosse um avião,

Que o centeio espalhado na eira aparou na queda.

 

O Teixeira, como se fosse uma coisa banal

Vira-se para as pessoas e diz com ar fanfarrão.

– Que grande coisa a dos astronautas, afinal.

Com uma cornada fui ao ar, eles vão de foguetão.

Zé Onofre

Desenvolvimento

Frase - Ex,: O Amarelo fugiu para a eira da quinta do Eixo

Proceder como nos textos anteriores

15
Ago22

histórias para aprender a ler e escrever - Livro I - O namoro do Avô Zé

Zé Onofre

O namoro do avô Zé

O NAMORO DO AVÔ ZÉ.jpg

 

 

Quando os anos eram dementes

A vida não cabia em mim.

Agora aqui, mais além, de repente

Era loucura uma atrás da outra sem fim.

 

Numa dessas muitas loucuras,

De andar à boleia, de dedo esticado,

Quis a boa, ou a azarenta ventura,

Que fosse parar a um povoado

 

Onde uns olhos, verdes brilhantes,

Estavam ali apenas para me laçar.

A Aida atou-me com laços inebriantes

Dos quais nunca fui capaz de me livrar.

 

Fui namorar, por artes do destino

A uma Terra de fortes tradições.

Os rapazes testam a coragem, do menino

De fora, dando-lhe uma de duas opções.

 

A primeira até era fácil de cumprir.

Era uma questão de bolsa bem fornecida.

Chegar ao tasco da aldeia, mandar vir

Vinho e o peso do pretendente em comida.

 

A outra tinha mais que contar.
No aido era largado um toiro enraivecido

Sem saída e só uma nesga para o bicho entrar.

O pretendente ficava de veras perdido.

 

Para mim havia uma terceira saída.

Esquecer os olhos verdes brilhantes,

Pela alta noite sem luz, escurecida,

Dar alta velocidade aos calcantes.

 

Não vá por aí amigo. Mostre que se respeita.

Esqueça a merenda. Basta saber o boi olhar.
Se baixar a orelha esquerda vai para a direita.

Vai para a esquerda, se a direita baixar.

 

Ao outro dia, o aido esperava a função.

E eu de peito cheio mostrava valentia.

Entra o bicho. Orelhas apontadas ao chão.

Vi-me sob um carro de mato. À volta tudo ria.

 

Cheio de vergonha, saí de olhar nublado.

No outro lado do aido, um vulto estava.

Lentamente vinha para o meu lado,

A Aida dos olhos verdes que me aguardava.

 

Desenvolvimento

Frase [Ex. - A Aida esperou pelo avô Zé na cerca do aido.]   

Proceder como nos textos anteriores

14
Ago22

Histórias para aprender a ler e a escrever - Livro I - Um presente diferente

Zé Onofre

Um presente diferente

 

Um presente diferente.jpg

Eva vivia numa quinta.

A sua vida era quinta-escola,

Escola-quinta.

 

Ler e escrever.

Mais do que “deveres”

Era oportunidade de correr mundo,

Ter tempo de sonhar e de sorrir.

 

A seguir era o tempo dos pais.

Tanto estava de faca na cozinha

Como de sacho regava as culturas.

Ou, de foicinha, segava erva para o gado.

 

Ultimamente era difícil

Pôr os olhos em cima da Eva.

Parece que a rapariga vive na escola.

O pai serenando a mãe leva-a

Em silêncio até à cavalariça.

 

Chegam-se à beira da Eva.

Debruçada na cerca,

Embevecida, olhava a égua.

Com a barriga, redonda como o mundo,

Já mal se arrastava.

 

Vamos Eva, ainda não é para já.

De olhos presos na égua

Foi difícil arrancá-la de lá.

Comeu pouco. Caiu na cama

Como se tivesse feito a volta à aldeia.

 

O pai agitado, antes do nascer do sol,

Entra no quarto de Eva, chama-a.

Vem de pijama, mas calça-te.

A Eva, ligeira, entra na cavalariça.

– Que linda?

 

Gostas?

Tão fraquinha nas suas perninhas

E já de pé! Olha, olha como ela mama?

Sem fazer gestos bruscos

O pai entra na cerca.

 

Põe um laço vermelho

No frágil pescoço da cria

E agora que te parece?

Belíssima, uma menina

Acabada de arranjar.

 

A menina do laço vermelho,

Diz a mãe abraçando-a, é tua.

Naquele dia, na escola, 

A Eva falava, falava,

Do seu belo presente.

 

Desenvolvimento

Proceder como anteriormente

 

13
Ago22

Histórias para aprender a ler e escrever - Livro I - Ana

Zé Onofre

Ana queria ter asas

ANA - Cópia.jpg

Ana, pequena sonhadora

De grandes viagens, sente a mesa

Que se alonga à sua frente,

Ora, respeitado local de trabalho,

Ora, nos seus sonhos intermináveis,

Ponto de partida e chegada

Das viagens para além do possível.

 

Na tarde daquele dia

Ana sentou-se à sua mesa e,

Em piloto automático,

Começou a rabiscar à toa.

Possuída, pela febre da imaginação,

Os dedos e os lápis mexiam-se

Como se tivessem vida própria.

 

Ana, exausta, deixou-se tombar

Na mesa de trabalho.

Os braços abertos,

Os longos cabelos,

Estendidos, espalham-se,

Sobre o papel febrilmente desenhado.

 

Ana sente-se elevar no ar.

O papel aleatoriamente pintado

Forma agora  

Longas asas coloridas,

Que se completam nos braços.

Agitando-se à velocidade certa,

Levam-na janela fora,  

Sobre os campos do centeio doirado

Ondulando ao vento.

Sobre as encostas dos montes,
Onde o vento

Corre a aspirar rosmaninho,

Futuros tapetes de Páscoa.

Soprava forte as pinhas,

Que caíam para seu gáudio

Queimar à Srª da Graça

Na mais longa noite do mês de agosto.

Via-se na poça grande onde fingia nadar,

Nos cruzeiros no Tâmega

A bordo do barco do Correia

 

Cansada já regressa.

De pé no peitoril

Fecha a janela.

Deixa cair as asas

Fica um pouco mais ainda

Olhando os campos, 

Verdes rotas para o horizonte.

 

A mãe da Ana estranhando

Aquele silêncio eloquente

Foi espreitar o que se passava.

Mansamente abriu a porta

Espreitou e quase gritou.

Abafou o grito a tempo

Não fosse assustar a Ana.

Pé ante pé chega-se à filha,

Passa-lhe a mão no cabelo

E baixinho, cuidado Ana.

Não, mãe acabo de chegar.

Larguei mesmo agora as asas

Olha-as aí no chão.

Ó mãe, é tão bom ter asas

E sair por aí fora a voar.


Desenvolvimento

  1. Igual até ao ponto 12 dos outros textos
  2. Exemplo de frase

O Ana sonhou que tinha asas e saiu a voar pela janela.    

  1. Dividem as palavras escolhidas em sílabas

 

A + na                                   a +sas

       

  1. Preenchem os seguintes quadros silábicos.

 

          A + na                                      a+ sas

 

A       A                                       a      a

E                                                 e

I         I                                        i       i

O       O                                       o      o

U       U                                       u      u

Ãe                                               ãe

Ai                                               ai

Ao                                              ao

Ão                                              ão

Au                                              au

Ei                                               ei

Eu                                              eu

Iu                                               iu

Õe                                              õe

Oi                                               oi

Ou                                              ou

Ui                                               ui 

 

  1. Com as frases

 

O meu nome é____________________.

A Inês fez uma fogueira na ilha.

O Ulisses foi às uvas.

O Oto correu com a opa pelas ruas e praças.

A Ana sonhou que tinha asas e saiu a voar pela janela.

 

  1. Proceder como nos núm. 14.15.16.17 dos primeiros trabalhos.

 

12
Ago22

histórias paraa ler e escrever - Livro I - Oto e a opa mágica

Zé Onofre

Oto e a opa mágica

 

OTO.jpg

 

Numa Terra, que poderia dizer

Ser longe, muito longe

E há muito, muito tempo.

Porém, nem a aldeia era no fim do mundo,

Nem isto aconteceu há muitos anos.

Casos como este estão sempre a acontecer.

 

Naquela aldeia, vila ou cidade

Havia um menino chamado Oto.

Era tão medroso, tão medroso,

Que vivia fechado no seu quarto.

Ao mais pequeno ruído

Já estava debaixo da cama.

 

Nunca saía sozinho à rua.

Apenas levado como um prisioneiro.

Dois guardas, um de cada lado,

Outros dois, um à frente outro atrás.

Mesmo assim a sua cabeça não parava.

Os seus olhos em tudo viam monstros.

 

Confessou uma vez, ao pai e à mãe,

Que até tinha medo de ter medo

E por isso se encerrava em casa.

– Assim não pode continuar.

– Até parece que é bruxedo,

Ter medo de ter medo!

 

Foram falar com os mais experientes.

Todos os ouviam com muita atenção,

Porém, ninguém tinha conhecimento de tal.

Desconheciam, portanto, qualquer solução.

Desistentes iam de cabeça baixa.  

Ouviram alguém gritar, sei como o fazer.

 

Olharam e repararam num garoto

Mais ou menos da idade do Oto.

Continuou o rapazinho. Para ele só magia,

Tenho lá em casa o que o Oto precisa.

Tenho uma opa que dá poderes mágicos

Mesmo ao menos corajoso dos meninos.

 

Vai lá buscar essa bendita opa

E vai ter connosco a nossa casa.

Se a tal opa não lhe fizer bem,

Mal também não lhe há de fazer.

O rapazito saiu disparado e chegou

A casa do Oto juntamente com os pais.

 

Filho anda cá. Não tenhas medo.

Um amiguinho tem uma prenda para ti.

De olhos quase fechados, pernas a tremer,

Pergunta trémulo, que tens aí?

Veste esta peça de roupa – uma opa.

Agora abre os olhos e vai até à porta.

 

Oto com a opa chega-se à porta,

Levanta os olhos, abre os braços.

Lança-se numa correria louca,

Passa caminhos, passa largos,

Passa montes, passa rios e lagoas.

Esbaforido regressa a casa.  

 

A opa? Opa! Que opa, pergunta o Oto.

Sou lá rapaz de usar uma peça dessas.

Ninguém mais me fale em opa.

Ninguém mais me diga que sou medroso.

Dizerem que tinha medo de ter medo! 

Ridículo! Uma opa contra o medo?!

Desenvolvimento

  1. Igual até ao ponto 12 dos outros textos
  2. Exemplo de frase

O Oto correu com a opa pelas ruas e praças.

  1. Dividem as palavras escolhidas em sílabas

 

              O + to                  o + pa

       

  1. Preenchem os seguintes quadros silábicos.

 

O + to                                     o + to

 

A                                                a

E                                                 e

I         I                                        i       i

O       O                                       o      o

U        U                                      u      u

Ãe                                              ãe

Ai                                               ai

Ao                                              ao

Ão                                              ão

Au                                              au

Ei                                               ei

Eu                                              eu

Iu                                               iu

Õe                                              õe

Oi                                               oi

Ou                                              ou

Ui                                               ui 

 

  1. Com as frases

 

O meu nome é____________________.

A Inês fez uma fogueira na ilha.

O Ulisses foi às uvas.

O Oto correu com a opa pelas ruas e praças.

 

  1. Proceder como nos núm. 14.15.16.17 dos outros trabalhos.

 

11
Ago22

Histórias para ler e escrever - Livro 1 -

Zé Onofre

Ulisses e as uvas

Ulisses 1.jpg

Ulisses, ó Ulisses!  Onde se terá metido?

Pergunta-se a mãe, sabendo muito bem,

Que tanto poder estar atrás de si escondido,

Como perdido pelos campos além.

 

Ouve um barulho. Parece vindo do quintal.

Corre a ver o que lhe chamou a atenção.

Sem surpresa, tudo espera do Ulisses afinal,

Encontra a meda de milho espalhada no chão.

 

Mal seguro, pendurado nos ferros da ramada,

O Ulisses via as uvas caídas, nem ouvia o ralho

Da mãe fazendo voz de muito zangada

Que fazes tu aí, és rapaz ou espantalho?

 

Menino Ulisses não tem nada a dizer?

Ter tenho, até é muito fácil de contar.

Passei por aqui a saltar e a correr

Ia lá longe ouvi uma vozinha chamar.

 

Agora ajude-me que estou cansado.

Ah está, diz a mãe de dedo em riste.

Como és um rapaz tão qualificado

Desce do mesmo modo que subiste!

 

Aí vou eu, atenção que não sei voar.

Mas que grande novidade me dizes.

Já te via no circo, num número sem par,

O grande artista e sensacional Ulisses

 

Que come uvas e voa a rasar o oleado!

Ainda não tinha acabado de o anunciar

Ouve-se um ai! ... seguido dum som abafado.

Era o Ulisses que estava a aterrar.

 

Tudo por causa de umas uvas a tentar…

Ulisses, que ages sem pensar no que aconteça.

Mãe quem resistia às uvas doces a chamar?

Qualquer um, Ulisses, com tino na cabeça.

 

Desenvolvimento

 

  1. Leitura em voz alta e clara do texto, como se fosse contado.
  2. Leitura do texto em voz alta e clara do texto com respostas a perguntas sobre o sentido de algumas palavras.
  3. Dramatização do texto.
  4. Contar por desenho/pintura o texto.
  5. Recontar o texto.
  6. Dizem frases sobre o texto.
  7. As frases ditas vão sendo escritas no quadro.
  8. Leem todas as frases coletivamente.
  9. Cada um tenta identificar a frase que disse.
  10. Escolhem uma das frases.
  11. Na mesa escrevem a frase sem copiar – leem a frase, tapam a palavra (as palavras a escrever) depois de as terem observado bem.
  12. Na frase escolhida destacam-se duas palavras.

Exemplo

 

O Ulisses foi às uvas

 

  1. Dividem as palavras escolhidas em sílabas

 

 U + li + sses                   u + vas

       

  1. Preenchem os seguintes quadros silábicos.

 

U +li + sses                             u + vas

 

A                                                a

E                                                 e

I         I                                        i      i

O                                                o

U        U                                      u      u

Ãe                                              ãe

Ai                                               ai

Ao                                              ao

Ão                                              ão

Au                                              au

Ei                                               ei

Eu                                              eu

Iu                                               iu

Õe                                              õe

Oi                                               oi

Ou                                              ou

Ui                                               ui 

 

  1. Com as frases

 

O meu nome é____________________

A Inês fez uma fogueira na ilha

O Ulisses foi às uvas

 

Escrever novas frases

O nome dele é ________________________________

O nome dela é ________________________________

O ______________ fez uma fogueira na ilha.

 

A ______________ fez uma fogueira na ilha

 

O______________ foi às uvas.

 

A ______________foi às Uvas

 

O _______________foi às uvas na _________

 

A ______________ foi às uvas na ___________

 

[Nota importante. As crianças escreverão todas as frases sem copiarem. Leem as frases e tapam as frases a escrever.

Se sentirem Dificuldades, destapam a frase observam-na bem, tapam-na de novo com a folha e voltam a tentar.] 

 

  1. No final o professor (a professora) escreve todas as frases no quadro.
  2. Uma a uma as crianças “leem” as frases.
  3. O professor (a professora) policopia todas as frases e entrega uma cópia a cada criança.

 

       Zé Onofre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10
Ago22

Histórias para aprender a ler e a escrever

Livro i

Zé Onofre

Histórias para aprender a ler e a escrever

Livro I

Zé Onofre

Título. Introdução. "A ilha - ilustração e texto. Desenvolvimento

 

 

HISTÓRIAS DE – A a Z

 

(TEXTOS PARA APRENDER A LER E ESCREVER)

 

 

 

TEXTOS E ILUSTRAÇÕES DE ZÉ ONOFRE

 

 

 

 

ESCOLA DE VILARINHO 1998/99

 

Introdução do “como” passo a passo

Previamente 

  1. Sobre a mesa num prisma triangular, feito de cartolina, está escrito o nome da criança.
  2. As crianças apresentam-se, uma a uma, dizendo o seu nome, idade, amizades, … coisas das suas vidas.
  3. Cada criança diz

O meu nome é ______________________.

  1. Conforme cada criança diz O meu nome é __  a professora (o professor) escreve-a no quadro
  2. No lugar cada criança faz o seu “retrato”, que tem no cabeçalho uma faixa em branco, separada por uma linha bem nítida.
  3. As crianças leem, acompanhadas, a frase O meu nome é ________ .
  4. No lugar a criança escreve, copiando, a frase que tem o seu nome, sob o seu “retrato”.
  5. No final as crianças copiam para o cabeçalho numa linha (não marcada) o nome da escola, e a data. Noutra linha (não marcada) “escreve” o seu nome completo a partir do prisma triangular.
  6. Todos os dias escreve o local, data e nome no início do dia. Também escreve O meu nome é ----. Vai substituindo na frase O meu nome é --- por O nome dele (dela) é ------.

 

A ilha

A ILHA.jpg

 

Havia uma Praia.

Com rochedos altos e agudos,

Esculpidos pelo mar, pelo vento,

Pela areia e pelo tempo.

 

Numa casa no cimo da praia.

Vivia, uma mulher

Um homem

E a sua filha.

 

A Inês, o nome da menina,

Gostava muito de nadar.

Tomava banho numa lagoa

Que fazia a preia mar.

 

Mantinha-se por ali.

Até que nova maré

A voltasse a encher

De água e sonhos.

 

Um dia, mais ousado,

Viu o mar perto e distante.

De cima do fraguedo alcançou

Uma vista deslumbrante.

 

Bem sob os seus pés,

Ondas no seu eterno labutar.

Adiante, pescadores lançam redes

Tiram o sustento do mar.

 

No horizonte uma coisa brilha.

Por onde os cargueiros se cruzam.

Parece uma pequena ilha

Que ensombra os cargueiros que passam.

 

A ouvir a canção do mar e das gaivotas

Com os cabelos a dançar ao vento,

A imaginar viagens à ilha ignota  

Esqueceu-se do passar do tempo.

 

Ali a encontraram os pais

Cabelos abandonados ao vento.

De pé, braços abertos não está ali,

Encontra-se no fundo do tempo.

 

Volta-se num repente e diz

- Amanhã vou descobrir uma ilha.

- O sol queimou-te a moleirinha?

- Não. Eu vou levar a minha filha.

 

 Cedo o barco está a flutuar.

A mãe - vão vocês, três é muita gente.

Na lancha a baloiçar.

Pai e filha lá vão todos contentes.

 

De repente o motor calou-se

A lancha acabou por parar.  

Ou acabam à força de remos

Ou a viagem acaba no mar.

 

Veem o sol que baloiça no mar,

Enquanto comem sentados na areia

A mãe saberá que tudo está bem.

Se no alto da ilha fizerem uma fogueira.

 

Já se veem os penhascos 

Que, da areia, ao alto se erguem.

No cimo deles algo cintila.

De repente os olhos já nada veem.

 

São abalroados pela mãe,

Mal põem o pé na areia

Que, ainda mal refeita grita

Hei de ir à ilha fazer uma fogueira.

 

Desenvolvimento 

  1. Leitura em voz alta e clara do texto, como se fosse contado.
  2. Leitura do texto em voz alta e clara do texto com respostas a perguntas sobre o sentido de algumas palavras.
  3. Dramatização do texto.
  4. Contar por desenho/pintura o texto.
  5. Recontar o texto.
  6. Dizem frases sobre o texto.
  7. As frases ditas vão sendo escritas no quadro.
  8. Leem todas as frases coletivamente.
  9. Cada um tenta identificar a frase que disse.
  10. Escolhem uma das frases.
  11. Na mesa escrevem a frase sem copiar – leem a frase, tapam a palavra (as palavras a escrever) depois de as terem observado bem.
  12. Na frase escolhida destacam-se duas palavras.

 

Exemplo

 

A Inês fez uma fogueira na ilha

 

 

  1. Dividem as palavras escolhidas em sílabas

 

 

I + nês                   i + lha 

       

  1. Preenchem o seguinte quadro.  

 

           I + nês                                     i + lha

A                                                a

E                                                 e

I         I                                        i      i

O                                                o

U                                                u

Ãe                                              ãe

Ai                                               ai

Ao                                              ao

Ão                                              ão

Au                                              au

Ei                                               ei

Eu                                              eu

Iu                                               iu

Õe                                              õe

Oi                                               oi

Ou                                              ou

Ui                                               ui 

  1. Com as frases

O meu nome é____________________

A Inês fez uma fogueira na ilha

 

Escrevem novas frases

O nome dele é ________________________________

O nome dela é ________________________________

O ______________ fez uma fogueira na ilha.

 

A ______________ fez uma fogueira na ilha

 

[Nota importante. As crianças escreverão todas as frases sem copiarem. Observam as frases. Tapam as frases a escrever com um papel-

Se sentirem Dificuldades, destapam a frase observam-na bem, tapam-na de novo com a folha e voltam a tentar.] 

 

  1. No final o professor (a professora) escreve todas as frases no quadro.
  2. Uma a uma as crianças “leem” as frases.
  3. O professor (a professora) policopia todas as frases e entrega uma cópia a cada criança.

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