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Notas à margem

Notas à margem

05
Abr21

Formiga 35

Zé Onofre

                    35

01/02/970

            I

Não sei se sonhei,

Se quis ouvir.

Ou se ouvi mesmo

E não quero crer que ouvi.

             II

Meu amor,

Não vás por esse caminho.

Olha,

É infinito sem volta,

É um caminho só de ida.

Por aí

Nem vida, nem amor,

Nem, talvez, a morte,

Só nada.

                   III

Estou perdido.

Tanta gente,

Poço fundo e escuro,

Que me encurrala em mim.

Será gente,

Será um deserto,

E eu grão de pó solto no vento?

Será gente,

Será nuvem,

E eu gota de água no vento?

Só,

Saudoso de um gesto,

De uma chispa de olhar,

Que não passe ao lado.

Só,

Barco perdido no mar,

Sem leme, nem vela.

                IV

Só,

Saudoso das conversas que não tive,

Do amor que sempre vi ao longe,

De estar perto de quem nunca amei,

De quem nunca me esperou.

                     V

Sinto-me morto,

Prostrado na margem das pessoas,

Que não conheço,

E não ouso conhecer,

Deixo esvair a vida.

Sinto-me a morrer,

Nas margens d’um rio,

À espera que uma cheia me leve,

Para um areal deserto.

                  VI

Candeeiro de praça,

Todo olhos,

Vejo a vida a deslizar.

Multidões ondulantes,

Jovens soltando risos alados,

Bandos de crianças cabritando,

Namorados falando com as mãos,

Rindo com os olhos,

Expressando-se com os corpos.

                   VII

Segui este caminho.

Continuo sem saber se sonhei,

Se quis ouvir,

Se ouvi mesmo,

Ou não quero crer que ouvi.

      Zé Onofre

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