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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

06
Abr21

Formiga 37

Zé Onofre

                             37

30/1/970

Uma rocha.

Na rocha uma mão sob o queixo,

Um olhar vazio,

Cabelo ao vento,

Um homem.

O mar ao fundo.

Segredos sem fim

Agitam-se em ondas misteriosas.

Que mistérios

Se agitam naqueles cabelos,

Que segredos naquele olhar,

Que palavras

Cala aquela cabeça abandonada na palma da mão?

Uma rocha

Movendo-se no mar.

Um homem,

Fitando o vazio à beira mar

Com o cabelo viajante do vento.

Uma rocha,

Um mar,

Um homem,

Juntos,

Unidos por um acaso,

Na solidão de cada um.

Na loucura da enxurrada.

Amar,

Sorrir sem ser por nada,

Ir ao sol-posto,

Caminhar sem sentido,

Apenas viver a vida com o sentido de amar.

Viver no mar à deriva

“Perdido barco e vela”

Grão de areia só no deserto,

Gota de água na enxurrada,

É morrer novo

Apenas esperar a hora de ser enterrado.

Viver com rumo incerto

Com barco e vela,

Ter o amor como Estrela Polar,

Rebolar na areia,

Dançar nas cachoeiras,

Gritar de dor e alegria

Rir sem ser por nada.

Ir sem medir riscos

Ou traçar futuros,

Viver o dia

Como se fosse o último.

Zé Onofre

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