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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

30
Abr21

Formiga 51

Zé Onofre

                   51

04/06/970

I

Há muito que uma paz podre

Nos envolve com uma camada de surro.

Deitado à sombra dos carvalhos,

Olho o sol por entre a ramada.

Não deslumbro o sol

Que me beijava a pele

Nas margens do meu rio.

Este sol,

Que agora se estende,

Preguiçosamente, pelos campos verdes,

Nada tem com o sol

Que arrancava cintilações de prata

Das águas do meu rio.

Este sol não é um riso rasgado,

É um esgar cínico

Que com desdém me olha.

II

Até a chuva,

Quando goteja filtrada pelas folhas dos carvalhos,

Aquece mais

Que este sol envergonhado.

Esta chuva,

Que aqui cai,

É tão diferente da chuva

Que batuca lá longe

numa janela,

Que baila e canta no telhado

Da casa plantada no verde

Próxima do meu rio.

        Zé Onofre

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