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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

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Notas à margem

26
Set22

Histórias para aprender a ler e a escrever - Livrto I - A dália Amarela

Zé Onofre

A dália amarela

 

A DÁLIA AMARELA.jpg

O sol, naquela tarde, estava irresistível,

Ditando imperativamente à gente, sai.

A mãe da Dalila de forma previsível

– Filha, vai buscar a bicicleta, rápido, vai.

 

Lá vão as duas, rua abaixo até ao Jardim,

Onde a mãe, sentada, viaja pelo livro que lê

Dalila pedala, pedala pelos caminhos sem fim

À descoberta de algo novo, só não sabe o quê.

 

A mãe embalada na sua viagem-leitura

Esqueceu completamente onde estava.

A Dalila continua a pedalar, inocente e pura,

Até que de repente para. Alguém a chamava.

 

Olhou para a direita, para a esquerda ninguém.

Olhou para trás. Nem sombra de pessoa.

Contudo, a voz fazia-se ouvir muito bem.

– Não procures longe, segue a voz que soa.

 

Acreditou. No jardim uma dália amarela

Sorria-lhe com quantas pétalas tinha.

Suavemente roçou a uma folha na mão dela.

Dalila seguiu-a como se a dália fosse a mãezinha.

 

Começou a contar baixinho um, dois, … até dez.

Pararam num local que Dalila achou belo e estranho.

Olhou, nem bicicleta nem mãe, nada.  Olhou outra vez.

Apenas o lago estava ali, mas já não era sujo castanho.

 

Sob a água agora clara e transparente,

Passeavam peixes de barbatanas dadas.

As árvores reverdeceram. A relva esplendidamente

Verde refletia as flores de cores renovadas.

  

De mão dada com a dália amarela via assim

Que aquele lugar onde agora estava só em sonho

Poderia existir. Aquele não era o seu jardim.

Como aquele só num mundo alegre e risonho.

 

Voltou à realidade do jardim de todos os dias

Ao chamado da mãe que a trouxe à realidade.

Vamos Dalila. Gostava de saber por que sorrias?

É uma pena termos de ir, porém é a verdade.

   Zé Onofre

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