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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

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Notas à margem

03
Out22

Histórias para aprender a ler e a escrever - Livro I - Vitória

Zé Onofre

Vitória

Vitória.jpg

 

Era uma vez uma menina.

Era uma vez uma vaca.

Vitória era o nome da menina.

Malhada se chamava a vaca.  

 

No verão Vitória levava

A vaca para o campo pastar.

A malhada no campo ficava

Até a Vitória a ir buscar.

                  

Um dia Malhada, a vaca,

Parece estar ainda travada.

A cada momento estaca.

Vitória, a menina, fica arreliada.

 

Vamos, Malhada, vaca bela.  

Mexe-te, que moleza é essa?

Dizia a Vitória, chegando-se a ela.

Move as pernas mais depressa.

 

A Malhada parecia não ouvir,

Continuava a passos lentos.

A Vitória já cansada de pedir,

Passou a termos mais violentos.

 

Olha que barriga, vaca gulosa,

Comeste tanto, pesa-te a bandulho.

Deixas de andar vagarosa,

Ou ‘inda levas de estadulho.

 

Malhada, a vaca, olhava a menina,

Que nunca assim a maltratara,

Parecendo dizer em voz pequenina

Hoje nada comi, coisa bem rara.

 

Como era de esperar a noite crescera.

Arrasta-se mal, Malhada, a vaca,

                                Vitória, a menina, já desespera.

  Agora a vaca virou uma estaca.

 

Estavam assim as duas paradas,

E lá do fundo do uma voz acesa.

Eh rapariga, que fazeis a aí pasmadas,

Mexe-te qu’a ceia está na mesa.

 

A Vitória a culpa não é minha,

É desta barriguda que parou de repente.

Até a agora devagarinho, mas vinha.

Agora nem p’ra trás nem p’rá frente.

 

O avô, que era dele a voz manda

A neta ir indo, que depois vai lá ter.

Vitória num segundo desanda

E diz avô, espero por si ao amanhecer.

 

A espera não foi assim tanta, tanta,

Mas era noite alta quando chegou.

Chamou a neta como quem canta.

Anda cá ver que bem a vaca andou.

 

A Vitória curiosa desce a correr

Vai à corte da Malhada espreitar.

Nem acreditou no que estava a ver

Um bezerrinho na vaca a mamar.

 

Triste de lhe ter chamado gulosa,

barriguda nervosa pela noite que caía

Chega-se à vaca, que está vaidosa

Desculpa, Malhada, eu não sabia.

  Zé Onofre

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