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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

13
Out22

Histórias para aprender a ler e a escrever - lIVRO I - O ramo de margharidasd

Zé Onofre

O ramo de margaridas

O RAMO DE MARGARIDAS.jpg

Era uma manhã clara de Primavera.

Naquele dia inusitado

Pais, tios e primos

Mais uma vez estavam em casa da avó.

Os primos

Não sabiam muito bem o porquê

Daquela reunião a meio da semana.

Se era Luto, se era Festa

Para eles tanto se lhes dava.

O bom era estarem ali

Mais um dia de aventuras.

 

Pais e tios entretidos

Em conversas acesas,

Ou a prepararem o almoço

Deixaram filhos e sobrinhos

Entregues aos cuidados

Das brincadeiras.

 

Chega a hora do comer

Horas de juntar as tropas.

O pelotão dos primos vem

Contrariado,

Deixara a brincadeira a meio.

 

Todos sentados à mesa

De talher em punho

Para começar o ataque.

É interrompido.

Pelo tio  

Que serve a criançada,

Onde estão a Rita e o Ricardo?

 

Começaram todos a chamar,

Enquanto procuravam

Nos sítios acostumados.

Mas nem os olhos os viam,

Nemos aos ouvidos

Chegava qualquer resposta.

“Oh meu deus”,

Grita a tia “aflita”,

Caíram os dois ao tanque,

Estão por lá afogados.”

 

Vai tudo num tropel

Escadas abaixo

A correr para a bica.

Ouve-se um som de alívio.

Mas onde se meteram os diabretes

Do Ricardo e da Rita?

 

Um tio mais calmo

Sobe por um caminho,

Por descargo de consciência,

Que por ali não era costume

Espalharem a brincadeira.

Sem esperança de os encontrar

Continuou a subir a ladeira

Para os encontrar de mãos dadas..

 

Primos à frente

Alegres e felizes.

Tio atrás

Com forçado ar sisudo,

Que a vontade era rir,

Tomaram o caminho da casa da avó.

 

Aqui estão os fugitivos

Diz o guardião à entrada do terreiro.

A tia “aflita”, agora descansada,

Pergunta-lhes com cara de tia pouco amiga.

Que andaram a fazer,

Não sabem da nossa aflição?

 

Rita e Ricardo

Nos seus inocentes anos de criança,

Ufanos da proeza

Estendem as mãozitas

Onde brilham mais que o sol primaveril

Um ramo de silvestres margaridas.

– São para as nossas mães!