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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

22
Fev22

Por aqui e por ali 62

Zé Onofre

                  62

 

sd

 

A sombra da noite

 

A noite cai. Não se ouve qualquer estrondo porque é silenciosa, como silenciosos são os passos que não se ouvem na noite silenciosa.

A noite cai. Num dia longínquo do nosso passado cai a noite roçagante de sedas maviosas e perfumes que nos inebriam, como inebriantes foram os folguedos do dia.

A noite cai. Silenciosa. Escura. Triste.

A noite cai, em silêncios de palmas de mãos abertas.

A noite cai, como pedras provindas do desconhecido, como sonhos que sonharam alvorecer.

A noite cai. Cai.

A noite cai. Cai sem a promessa de esperanças de um novo dia.

A noite cai definitiva.

A noite cai.

 

Na noite que cai é a sombra que se levanta.

A sombra e os pesadelos.

A sombra e os pesadelos levantam-se como adamastores

No solilóquio que transparece na solidão e frieza destas horas.

A sombra sem esperança de luz.

A sombra sem esperança de seja o que for.

   Zé Onofre