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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

12
Mai22

Por aqui e por ali 121

Zé Onofre

121

 

2002/02/11, confeitaria Mário, Amarante

 

Águas correntes,

De mistérios profundos,

Levai-me as lágrimas,

De homem falhado,

Até aos confins do mundo.

 

Mostrai-lhes,

A cada uma por si,

As grandezas do abismo,

Levai-as além do mar

Onde, dizem,

As praias são morenas.

 

Águas correntes do rio,

Espelho movediço do meu olhar,

Cumpri, serenas, o vosso destino

Traçado desde a primeira vez

De, eternamente, correrdes até ao mar .

 

Águas correntes do rio

Não pareis para olhar

Os meus olhos.

 Zé Onofre

27
Dez21

Por aqui e por ali 29

Zé Onofre

               29

 

986/01/06, confeitaria Mário, Amarante

 

Aqui estou,

Mais uma vez,

Tâmega.

 

Aqui estou,

Mais uma vez,

Tâmega

A ouvir os sussurros,

Urros,

Das tuas águas.

 

As tuas águas,

Não são águas,

São sangue.

 

Sangue

Que percorre o meu corpo

Desde criança.

 

Sangue

De homem apaixonado pela tua mensagem.

Mensagem

Que vem do fundo do tempo.

Mensagem

De paz, nas tuas águas.

Mensagem

De vida e beleza.

 

Benditas as tuas águas,

Tâmega,

Que sussurrantes

Lembram contos de reis e de fadas,

Lendas de mouras encantadas,

Sonhos de amor por realizar.

    Zé Onofre

22
Dez21

Por aqui e por ali 27

Zé Onofre

               27

 

985/09/21

 

O sol bate lá fora.

Nas águas calmas de Setembro

A dourada cor.

 

Cá dentro

A voz monótona de uma explicação,

E o riso cristalino da juventude a despertar.

 

De repente o grito da vida

Na alegria feita

De amores pacificados.

 

Hoje

Águas calmas de Setembro

Em Outubro.

Cor dourada de Setembro

Em Outubro.

     Zé Onofre

12
Set21

Penafiel 26

Zé Onofre

             26

 

10/06/976

 

A vida é feita de estranhos lumes,

Claridades e negrumes,

Luz contrastes,

Lâminas e gumes.

A vida é feita de vãs quimeras,

Sonhos e pesadelos,

Adormeceres-despertares,

Invernos e Primaveras.

A vida é um sonho sonhado

Ao acaso num caminho

É criar um passarinho

Numa gaiola sem grades

É correr de águas livres

Num ribeiro sem margens.

A vida é querer ser livre

Entre grades e prisões.

É criar com carinho

O fim das cadeias.

É não ter ilusões

De individuais salvações.

A vida, somos eu e tu,

Cada qual com as suas limitações,

Presos nas mesmas cadeias,

Trazendo nas nossas mãos

A vontade e a certeza

De derrubar todas as prisões.

A vida é feita de estranhos lumes

Claridades e negrumes

Luz e contrastes

Lâminas e gumes.

 Zé Onofre

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