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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

24
Mai22

Por aqui e por ali 133

Zé Onofre

              133

 

012/12/07, Biblioteca Municipal de Amarante, Amarante

 

Nunca mais será Natal.

 

As luzes que me guiavam

Uma a uma vão caindo,

Não na gruta da esperança,

Caem no templo da desilusão.

 

Nunca mais será Natal.

 

Por mais cânticos que nas ruas O anunciem.

Por mais luzes que nas ruas O iluminem.

Não anunciam o Natal da Alegria,

Pranteiam o Seu funeral.

 

Nunca mais será Natal.

 

Apesar do musgo dos montes.

Apesar das saudades da infância,

Foi-se despedaçando pelo caminho.

Foi ficando lá atrás moribundo

Sob o peso da desesperança

De milhões de seres desapropriados

Da vida, da dignidade do ser pessoa

    Zé Onofre

 

 

28
Abr22

Por aqui e por ali 107

Zé Onofre

               127

 

__/07/__, Penafiel, festa de fim de curso do Magistério de Penafiel

 

Hoje estais em festa.

Pensais que chegastes ao fim

E apenas iniciais o caminho.

 

Amanhã tereis a alegria

Que construirdes.

E parece tão fácil construir a alegria.

 

Encontrareis o perigo

Em cada esquina.

A cada passo tropeçareis

Com o futuro sem saberdes.

Tentareis o equilíbrio e avançareis

Sem terdes coragem de o enfrentardes.

 

Se tiverdes ainda coragem de parar,

De atrás voltardes

E vos restar força para recomeçar,

A alegria será vossa

E em cada dia inaugurareis

Um novo caminho.

  Zé Onofre

20
Abr22

Por aqui e por ali 98

Zé Onofre

                  98

 

996/11/24

 

De repente sinto que o Natal

Morreu dentro de mim.

 

Que caminhos percorri,

Que sonhos desperdicei?

 

Tudo sabe a esforço,

Voluntarismo,

Racionalidade.

Tudo é

Porque tem de ser.

 

Já nada é

Sonho ou alegria,

Revolta ou ousadia.

Tudo é razão, razão, razão.

 

Em que canto,

Em que esquina,

Em que parte de mim próprio me perdi?

  Ze Onofre

06
Abr22

Por aqui e por ali 86

Zé Onofre

                  86

 

995/03/15

 

Imagens e sons de amor.

Palavras

Que falam de carinho, de amizade,

Da alegria das coisas simples,

Da alegria

De dar vida à nossa vida.

 

Palavras

Que falam do desperdício,

Que são os sonhos perdidos

No supérfluo.

 

Gestos simples,

Canções simples,

Palavras simples,

Dar vida à vida

Com a nossa vida.

 

Construir o sonho

Com mãos vazias.

Tão simples.

Tão belo.

  Zé Onofre

23
Jan22

Por aqui e por ali 45

Zé Onofre

              45

 

Enquanto é tempo

 

sd, escola da Portela, Aboim, AMT

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Uns foram

Alegria pura,

Outros

Verdadeiros pesadelos.

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Sempre a tentar

A pensar

– Como fazer bem?

Como fazer melhor?

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Umas vezes

Juntos voamos

Para além do tempo.

Outras

Ficamos

Muito aquém do possível.

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Antes

Que a voragem

Do tempo

Apague o que de bom

E mau

Vivemos

Aqui ficam estas páginas …

 

Enquanto é tempo …

Zé Onofre

13
Nov21

Por aqui e por ali 6

Zé Onofre

                 6

 

1981/02/23, Gouveia – MCN

 

Vá!

Gritai-me as palavras

Com que se fazem os sonhos.

 

Vá!

Gritai-me as palavras

Com que se constroem mundos novos.

 

 Vá!

Gritai-me as palavras

Com que se enfurece o mar.

 

Dizei-me, nem que seja em murmúrios,

A vida serena

Do sol a cantar.

 

Dizei-me por favor,

A poesia de uma noite,

Mesmo que não tenha luar, nem estrelas,

Que seja só de sombras e trevas.

 

Gritai-mas,

Dizei-mas,

Vós as sabeis.

 

Um dia não veio à escola,

Ficou em casa

A fazer bagaço.

Quem me disse que ele era criança?

 

No primeiro dia de aulas

Não veio à escola,

Ficou em casa a trabalhar.

Com que direito o avaliaremos negativamente?

 

Queria ter um laço vermelho,

Grito de alegria

Na cabeça a sorrir.

 

Queria usar palavras sinceras,

Gritos de luz

Na boca a sorrir.

 

Queria ter palavras misteriosas,

Sons e cores da vida a começar.

Zé Onofre

08
Out21

Penafiel 57

Zé Onofre

                 57

 

11/01/978

 

Ó criança

Perdida

Nos meandros de teias

Em que te metemos.

 

És

Lampejo gritado

Nos sons da noite.

 

És relâmpago

Deslumbrante

De sons em cântico.

 

És

Presente

Espraiado

Nas margens do futuro.

 

Canto-te

Cor florescida

No chão

Semeado de pedras.

 

Canto-te

Som sofrido

No pântano

Semeado de medo.

 

Canto-te

Bem alto

Alegria que te quero

Das minhas mãos.

 

Elevamos-te

Bem alto

Alegria das nossas mãos.

  Zé Onofre               

08
Set21

Penafiel 19

Zé Onofre

19

 01/06/976

Neste dia que te dispensamos,

Como uma dádiva,

Quando todos os dias são teus.

Neste dia

Em que te glorificamos,

Por todos os outros

Em que te destruímos

E te negamos.

Neste dia,

Que roubamos ao nosso egoísmo,

Por todas as vezes que te abraçamos

E era falsidade.

Neste dia

Que te damos,

Por todas as vezes que te beijamos,

E era mentira,

Pela alegria

Que te roubamos

Com as nossas ausências,

Pelos sonhos

Que não sonhaste,

Sempre que te demos o brinquedo da moda,

Criança,

Perdão.

     Zé Onofre

07
Set21

Penafiel 14-15-16-17

Zé Onofre

                 14

17/04/976

Morte à morte,

Morra o sonho

Que cria ilusões.

Morra a vida

Que cria sonhos.

Morra a Terra,

Morra!

Viva,

A vida livre

Liberta

De sonhos

Ilusões.

Viva o sonho,

Sempre!

                 15

05/05/976

Ó alegria

De ser

Se.

Ó dor

De se

Ser

                 16

06/05/976

Em qualquer canto,

Em qualquer esquina,

Em qualquer rua,

Em qualquer mar,

Se se souber olhar

Os homens sem serem sombras,

As ilusões

Sem serem pedras.

                 17

07/05/976

Se!

Há tantos ses

Escondidos

Nos cantos

De cada um.

Se!

Tantos ses

Perdidos

Nos dias

Hoje

     Zé Onofre