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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

23
Jan22

Por aqui e por ali 45

Zé Onofre

              45

 

Enquanto é tempo

 

sd, escola da Portela, Aboim, AMT

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Uns foram

Alegria pura,

Outros

Verdadeiros pesadelos.

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Sempre a tentar

A pensar

– Como fazer bem?

Como fazer melhor?

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Umas vezes

Juntos voamos

Para além do tempo.

Outras

Ficamos

Muito aquém do possível.

 

Foram tantos

Dias

Tantas horas …

 

Antes

Que a voragem

Do tempo

Apague o que de bom

E mau

Vivemos

Aqui ficam estas páginas …

 

Enquanto é tempo …

Zé Onofre

13
Nov21

Por aqui e por ali 6

Zé Onofre

                 6

 

1981/02/23, Gouveia – MCN

 

Vá!

Gritai-me as palavras

Com que se fazem os sonhos.

 

Vá!

Gritai-me as palavras

Com que se constroem mundos novos.

 

 Vá!

Gritai-me as palavras

Com que se enfurece o mar.

 

Dizei-me, nem que seja em murmúrios,

A vida serena

Do sol a cantar.

 

Dizei-me por favor,

A poesia de uma noite,

Mesmo que não tenha luar, nem estrelas,

Que seja só de sombras e trevas.

 

Gritai-mas,

Dizei-mas,

Vós as sabeis.

 

Um dia não veio à escola,

Ficou em casa

A fazer bagaço.

Quem me disse que ele era criança?

 

No primeiro dia de aulas

Não veio à escola,

Ficou em casa a trabalhar.

Com que direito o avaliaremos negativamente?

 

Queria ter um laço vermelho,

Grito de alegria

Na cabeça a sorrir.

 

Queria usar palavras sinceras,

Gritos de luz

Na boca a sorrir.

 

Queria ter palavras misteriosas,

Sons e cores da vida a começar.

Zé Onofre

08
Out21

Penafiel 57

Zé Onofre

                 57

 

11/01/978

 

Ó criança

Perdida

Nos meandros de teias

Em que te metemos.

 

És

Lampejo gritado

Nos sons da noite.

 

És relâmpago

Deslumbrante

De sons em cântico.

 

És

Presente

Espraiado

Nas margens do futuro.

 

Canto-te

Cor florescida

No chão

Semeado de pedras.

 

Canto-te

Som sofrido

No pântano

Semeado de medo.

 

Canto-te

Bem alto

Alegria que te quero

Das minhas mãos.

 

Elevamos-te

Bem alto

Alegria das nossas mãos.

  Zé Onofre               

08
Set21

Penafiel 19

Zé Onofre

19

 01/06/976

Neste dia que te dispensamos,

Como uma dádiva,

Quando todos os dias são teus.

Neste dia

Em que te glorificamos,

Por todos os outros

Em que te destruímos

E te negamos.

Neste dia,

Que roubamos ao nosso egoísmo,

Por todas as vezes que te abraçamos

E era falsidade.

Neste dia

Que te damos,

Por todas as vezes que te beijamos,

E era mentira,

Pela alegria

Que te roubamos

Com as nossas ausências,

Pelos sonhos

Que não sonhaste,

Sempre que te demos o brinquedo da moda,

Criança,

Perdão.

     Zé Onofre

07
Set21

Penafiel 14-15-16-17

Zé Onofre

                 14

17/04/976

Morte à morte,

Morra o sonho

Que cria ilusões.

Morra a vida

Que cria sonhos.

Morra a Terra,

Morra!

Viva,

A vida livre

Liberta

De sonhos

Ilusões.

Viva o sonho,

Sempre!

                 15

05/05/976

Ó alegria

De ser

Se.

Ó dor

De se

Ser

                 16

06/05/976

Em qualquer canto,

Em qualquer esquina,

Em qualquer rua,

Em qualquer mar,

Se se souber olhar

Os homens sem serem sombras,

As ilusões

Sem serem pedras.

                 17

07/05/976

Se!

Há tantos ses

Escondidos

Nos cantos

De cada um.

Se!

Tantos ses

Perdidos

Nos dias

Hoje

     Zé Onofre

30
Ago21

Penafiel 8

Zé Onofre

          8

 07/11/977

 O silêncio encolhe tanto as pessoas que chega a encolher o pensamento

A pedagogia do ovo estrelado? Nem isso, caro director, é a pedagogia do come e calas.

Responsabilizar o aluno pelo trabalho, pressupõe uma escola em que o aluno é sujeito activo e não um agente passivo.

O que hoje é bom, amanhã será diferente – Só a verdade é revolucionária (Lenine) – Penso que não há boa, nem má moralidade. Há uma percepção do real e que expondo-a corre-se sempre o risco de amanhã não ser verdadeira. Porém dizer hoje, a percepção de hoje é amor à vida.

“Quem não trabalha, não come” – Vitória (suposto) professor de metodologia. – Ó Vitória, ainda um dia, vais morrer de fome.

“O homem distingue-se da animalidade pela fantasia.” Ó Vitória, tu não és homem.

Condenar a formiga, ou a cigarra, é continuar com a oposição trabalho manual/intelectual.

Alegria é uma dádiva que recebemos de uns e devemos dar aos outros.

Escreve-se para… mas, principalmente porque …

20
Ago21

Souto 38 (Encontros, fantasias, ilusões e enganos)

Zé Onofre

                   38

                   3

Já não há cantares passeios,

Já não há vossa companhia,

Já não há os ternos enleios,

Já não há na noite alegria.

 

Recordando procuramos ver,

Na alegria que nos deste,

Se no fundo do nosso ser

Há algo, ainda, que reste.

Com mágoa forçados a dizer,

Zé, São e Céu, verdade agreste:

Já não há cantares passeios.

 

Há ainda uma ilusão que alumia

A vida que agora triste é.

A alma vive-a e cria-a

E acarinha-a com fé.

Sabendo tudo fantasia

Acordando dizemos: Zé

Já não há a tua companhia

 

Criada com grande receio

A ilusão, que em nós nasceu,

Tem a saudade como esteio.

Quando dizemos “não morreu”

Um frio corta-nos a meio.

É com dó que dizemos: Céu

Já não há os ternos enleios.

 

Que venha o vento, desolação,

Que venha dor à porfia.

Se perdemos toda a alegria

Não importa a solidão.

E entre as trevas, à revelia,

Se ouve um último grito: São

Já não há na noite alegria!

   Zé Onofre

 

 

 

 

 

12
Ago21

Souto 31

Zé Onofre

                            31

28/04/975

A paz e a calma de saber

Para além de tudo que sou eu.

Ser eu sem fingimento e na verdade.

A cara sempre a mesma,

Erguida e radiante na alegria,

Baixa e húmida na tristeza,

Mas sempre a mesma cara.

Serena nas horas calmas.

Ensombrada nas horas turbulentas,

Mas sempre a mesma cara determinada.

   Zé Onofre

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