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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

15
Dez22

Rebusco 2

Zé Onofre

2
989/10/11

I

José correu,
Depois voou,
Perdeu-se no azul.

Restou dele
Apenas uma réstia
De nada.
Foi feliz.

II

Passamos o tempo
A perder o tempo
A lamentar o tempo perdido.
Somamos tempo perdido
A tempo perdido.
Quando usaremos o tempo,
Que nos é dado,
Para construir
Um tempo acrescido
De felicidade?

III

Rasgamos
Com fúria,
As condições primeiras da felicidade.
(Ternura,
Ternura e mais ternura).

Depois
Recordamos metodicamente
Os sonhos perdidos
Ao amanhecer.

IV

Pegamos em crianças.
Que fazemos delas?
Macaquinhos amestrados
A Responder a estímulos?
Macaquinhos pequeninos
Muito bem ordenadinhos?
Meninos comportadinhos,
Pequenos homenzinhos?
Ai escola, escola.

V

Pura poesia
É
A vida em movimento.

O parado
É
Sofrimento.

A escola parada
É
Tristeza pura.

Secas
São as vidas torturadas
Nos bancos da escola.

Secas
São as palavras
Que, frias, escorrem
Dos lábios das crianças
Sem sentido,
Sem ardor.

    Zé Onofre

27
Abr22

Por aqui ed por ali 106

Zé Onofre

                  106

 

997/06/29

 

Descobri, hoje, que é maldição sonhar.

Os sonhos mais simples morrem

No desastre das nossas próprias mãos,

Ou no aperto insincero de mãos estranhas.

 

Não só é maldição sonhar,

Mas maior maldição é revelar

Os sonhos íntimos que se possam ter,

Os sonhos devem ser estrangulados

Com os primeiros raios do amanhecer.

 

Assim não haverá dias primaveris,

Nem Verões quentes em Novembro a morrer.

Assim teremos garantidos dias sem tempestades, …

Viveremos mortos sem alegrias, nem vontades.

  Zé Onofre

22
Abr22

Dia de hoje 101

Zé Onofre

                 101

 

sd

 

O certo é que,

E para o caso pouco importa,

O caso é, digo eu

Que Inês é morta.

 

Não foi preciso o “Bravo”,

Nem a sua sombra tutelar,

Que usou um Pacheco qualquer

Como arma mortal.

 

Apenas se o tempo foi Rei

E a rotina, que longamente se instalou,

Foi do Pacheco a mão assassina

Que o sonho ao amanhecer matou.

 

Agora resta-nos

Reconstituir em fita,

Fazer de conta que o tempo não passou

Que a rotina não se instalou.

 

O certo é,

E para o caso até importa,

Que Inês é morta.

   Zé Onofre