Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

20
Dez22

Rebusco 3

Zé Onofre

               3

 

989/10/12

 

Caminhamos

Um caminho,

Como quem vai à descoberta.

 

Caminhamos

Por um jardim,

Talvez o mais florido.

 

Caminhamos

Um caminho,

Talvez encantado.

 

Caminhamos

Por um jardim,

Talvez o mais belo arco-íris.

 

Caminhamos

Um caminho

Tortuoso à procura da felicidade.

 

Caminhamos

Um caminho

Que não é apenas de um sentido

 

Caminhamos

Um caminho

Lucidamente cegos.

 

Caminhamos

Um caminho

Apesar das nossas fraquezas.

 

Caminhamos

Um caminho

Assombrado pelas nossas incertezas.

 

Caminhamos

Um caminho

Certos de fazer melhor todos os dias.

 

Caminhamos

Um caminho

Tropeçando em angústia, raiva e alegria.

 

Caminhamos

Um caminho

Apesar de todos as quedas, com amor.

  Zé Onofre

30
Abr22

Por aqui e por ali 110

Zé Onofre

                110

 

998/09/18

Alameda Teixeira de Pascoais, Amarante

 

Não sei se é esta angústia

Que me desespera.

Ou se desespero desta espera de nada esperar.

Não sei

Se as palavras de desespero,

Que uma a uma escrevo,

São sinal de desespero,

Ou apenas palavras desesperadas.

 

Não sei se as palavras

Ainda servem para unir,

Ou se já nem unem, nem separam,

Apenas balões de ar

Que o vento leva.

Não sei

Se foram as palavras que perderam

A magia, o sonho e o espanto,

Ou se fui eu que me esqueci de me maravilhar.

 

Não sei se esta mágoa

É mágoa verdadeiramente sentida,

Ou apenas mágoa fingida

De quem a já nada pode magoar.

 

Não sei se são as palavras

Que perderam o sentido,

Ou se sou eu que já não as sabe usar.

   Zé Onofre

17
Fev22

Por aqui e por ali 59

Zé Onofre

                 59

 1989/09/13

 

 Professores,

Cidadãos da dúvida,

Construtores em projeto

De novos projetos.

 

Professores

Caminhantes de um caminho,

Por fazer,

Balizado entre o que é

E o que deve ser.

 

Professores,

Cidadãos da angústia,

Construtores de um sentido,

Sem demissão,

Modelando hoje

O incerto amanhã.

Zé Onofre

15
Jul21

Souto 11

Zé Onofre

11

30/09/973

Que fazer

Da solidão e do desespero.

Da angústia e do desatino,

Do nada e da plenitude,

Um novo amor?

Que fazer

Das palavras sentidas

Longamente perdidas,

No sem fim de rumores,

No eco dos rumores,

Nos uivos e nos gritos,

Na vozearia e da gritaria,

Nas curvas da louca mente,

No troar permanente,

Nos confins do mundo,

No mar profundo,                                 

Nos areais açoitados pela ventania,

Um novo amor?

Que criar entre mim e ti, entre nós,

Com o perdido e despedido,

O trucidado e aboquejado,

O desfeito e rarefeito,

O contrafeito e imperfeito,

O desiludido e temido,

O negado e estraçalhado,

O falado e calado,

O dito e contradito

Amor?

Inventar tudo de novo?

  Zé Onofre

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub