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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

17
Abr22

Por aqui e por ali 96

Zé Onofre

                 96

 

996/05/12, visita a uma amiga instalada no asilo, Amarante

 

Aqui estão parados,

Simulando que vivem.

Aqui estão a viver um tempo

Que não existe,

A gastar um sopro 

Que está suspenso.

Aqui estão

Envoltos num passado,

Num presente suspenso

Que não terá futuro.

Aqui estão desertos de sonhos,

Suspensos do tempo,

Ausência do hoje,

Sem possíveis amanhãs.

  Zé Onofre

20
Jul21

Souto 15

Zé Onofre

             15

15/02/974

 Retirado da vida,

Isolado das tormentas

Sofro de ausência de dor.

Vida sem dor

É esperança perdida

De encontrar porto acolhedor.

Mar alto,

Onde se caminha lentamente                         

Sobre as ondas

Ao encontro do infinito.

Mar alto,

Ondas de palavras,

Onde nos enredamos,

Nos desfazemos,

Juntamente com a espuma nas praias,

Paredes da desilusão.

Tropeçando

Nas vagas alterosas

De um mar uivante

Numa viagem aventureira

À procura dum porto de abrigo.

Passeando

Nas ondas serenas

Que em colinas redondas

Se sucedem,

Em campos de irrealidade,

Perdemo-nos de nós

E diluímo-nos

Na água imensamente.

Retirado da vida,

Isolado das tormentas

Vida sem dor

Sofrimento redobrado.

Saber-se de antemão

O caminho a percorrer,

É estar perdido

Nas certezas que nos traçaram.

Escolher caminho,

Entrar por mares das tormentas,

Cortando vagas alterosas,

É certeza de lutas incertas,

É conhecer-se perdido,

É ter a esperança

De se ser resgatado,

Com sorrisos de vencedor.

Vagas gigantes,

Com vento uivando sobre as águas,

É saber-se de antemão perdido,

É achar-se ainda de esperanças iludido,

É pensar-se ainda vivo

E sonharmo-nos eternos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mar alto,

Onde se caminha lentamente                         

Sobre as ondas

Ao encontro do infinito.

Mar alto,

Ondas de palavras,

Onde nos enredamos,

Nos desfazemos,

Juntamente com a espuma nas praias,

Paredes da desilusão.

Tropeçando

Nas vagas alterosas

De um mar uivante

Numa viagem aventureira

À procura dum porto de abrigo.

Passeando

Nas ondas serenas

Que em colinas redondas

Se sucedem,

Em campos de irrealidade,

Perdemo-nos de nós

E diluímo-nos

Na água imensamente.

Retirado da vida,

Isolado das tormentas

Vida sem dor

Sofrimento redobrado.

Saber-se de antemão

O caminho a percorrer,

É estar perdido

Nas certezas que nos traçaram.

Escolher caminho,

Entrar por mares das tormentas,

Cortando vagas alterosas,

É certeza de lutas incertas,

É conhecer-se perdido,

É ter a esperança

De se ser resgatado,

Com sorrisos de vencedor.

Vagas gigantes,

Com vento uivando sobre as águas,

É saber-se de antemão perdido,

É achar-se ainda de esperanças iludido,

É pensar-se ainda vivo

E sonharmo-nos eternos.