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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

28
Abr22

Por aqui e por ali 107

Zé Onofre

               127

 

__/07/__, Penafiel, festa de fim de curso do Magistério de Penafiel

 

Hoje estais em festa.

Pensais que chegastes ao fim

E apenas iniciais o caminho.

 

Amanhã tereis a alegria

Que construirdes.

E parece tão fácil construir a alegria.

 

Encontrareis o perigo

Em cada esquina.

A cada passo tropeçareis

Com o futuro sem saberdes.

Tentareis o equilíbrio e avançareis

Sem terdes coragem de o enfrentardes.

 

Se tiverdes ainda coragem de parar,

De atrás voltardes

E vos restar força para recomeçar,

A alegria será vossa

E em cada dia inaugurareis

Um novo caminho.

  Zé Onofre

04
Abr22

Por aqui e por ali 84

Zé Onofre

                    84

 

 995/02/20

 

Só,

Ou em revoadas,

Ave desaninhada,

À procura …

 

O ninho onde está?

 

E importa o ninho

Quando o caminho é belo?

 

E importará o caminho,

Se é agreste,

E não vale a pena?

 

Só,

Ou em revoadas,

Ave desgarrada

À procura 

Do tudo,

Ou do nada.

Somente à procura.

 Zé Onofre

 

 

 

Somente à procura …

03
Abr22

Por aqui e por ali 83

Zé Onofre

                83

 994/10/16

                 I

Que é

Do fogo ardente

Que iluminava o nosso caminho?

Que é

Da fúria

De fazer o futuro ontem?

Que tempo é este

Que levanta barreiras

Onde deveria haver, apenas, sonho e magia?

Que tempo é este

Que tudo macula?

Que tempo é este?

Que tempo,

Sem tempo

Para sonhar mais longe.

                II

Que bom,

Poder olhar o céu

Sem sonhos no olhar.

Que bom,

Poder apreciar a paz

Sem lágrimas nas palavras.

Que bom,

Pisar serenamente

As pedras da calçada.

                III

Quanto mais bom seria,

Incendiar de sonhos

O futuro,

Iluminar de pureza

O caminho,

Semear de flores

A gravidade dos dias.

  Zé Onofre

02
Dez21

Por aqui e por ali 8

Zé Onofre

               8

 

981/03/30, Telescola, Gouveia, MCN

 

Quem me dera já no Inverno,

Sentado nas longas noites frias,

A recordar.

 

Se fora já o Inverno,

Agora, neste momento,

Recordaria …

 

Recordaria estes sonhos

Que não foram realidade,

O passado, estas longas páginas brancas

De sonhos mortos ao nascer.

 

Quem me dera já o Inverno,

Para poder recordar

O sonho que não se fez,

A esperança vencida!

 

Quem me dera já o Inverno

Com as suas melenas brancas

E o frio,

Um frio penetrante

Que avivasse todos os sonhos

Que ficaram pelo caminho.

 

Quem me dera já o Inverno

Com a sua verdade crua

E sem esperança de vida já.

 

Quem me dera já o Inverno,

Já hoje,

Ou amanhã,

Mas queria o Inverno já!

    Zé Onofre          

12
Set21

Penafiel 26

Zé Onofre

             26

 

10/06/976

 

A vida é feita de estranhos lumes,

Claridades e negrumes,

Luz contrastes,

Lâminas e gumes.

A vida é feita de vãs quimeras,

Sonhos e pesadelos,

Adormeceres-despertares,

Invernos e Primaveras.

A vida é um sonho sonhado

Ao acaso num caminho

É criar um passarinho

Numa gaiola sem grades

É correr de águas livres

Num ribeiro sem margens.

A vida é querer ser livre

Entre grades e prisões.

É criar com carinho

O fim das cadeias.

É não ter ilusões

De individuais salvações.

A vida, somos eu e tu,

Cada qual com as suas limitações,

Presos nas mesmas cadeias,

Trazendo nas nossas mãos

A vontade e a certeza

De derrubar todas as prisões.

A vida é feita de estranhos lumes

Claridades e negrumes

Luz e contrastes

Lâminas e gumes.

 Zé Onofre

24
Ago21

Souto 39 (A brincar aos poemas de Amor)

Zé Onofre

                     III  

Tudo na vida começa

No acaso de um momento.

Mesmo que para mal aconteça,

Ninguém pára o movimento.

 

Está errado quem não creia

Que o acaso é o primeiro elo

De uma enorme cadeia

Que nos ata sem apelo.

 

Por isso o que vem depois,

É um caminho desconhecido

Para se caminhar dois a dois

Até ficar com paixão concluído.

 

Os elos cuidadosamente enlaçados

Com todo o amor e carinho

E a nosso modo entrançados,

Venceremos cada curva do caminho.

                   IV

Se a estrada ouvisse e falasse,

As palavras que gemidas saem

Desta boca, talvez calasses,

E não dissesses que não te quero bem.

                  V

Encontramo-nos por acaso

Num dia fim de Verão.

O sol já passara o ocaso

Mas não o meu coração.

 

Chisparam os olhos de volúpia

Ao ver tua boca vermelha risonha.

Partiste. De lamúria em lamúria

Cada noite fica mais tristonha.

 

Recordo aquele tempo

Em que os teus cabelos sedosos

Se agitavam como ameno vento

Às carícias dos meus dedos vaidosos.

 

Sem os teus olhos sorrindo,

Sem as tuas palavras meigas,

Sem o teu corpo se abrindo

Sou árvore só numa veiga

 

Que fazer agora, então

Com esta saudade sem fim.

Esperar que venha outro verão,

E viver com o que de ti há em mim.

 

Pergunto à saudade com o coração,

Se voltarão as noites de alegria,

Se os nossos corpos se unirão,

Em algum outro novo dia.

 

A saudade recorda o que perdi,

Diz-me que o que foi não voltará.

Contento-me com o que vivi,

E com o que o tempo futuro trará.

 

                         VI

Olhei-te um dia por olhar,

E vi que para mim sorriste.

Não soube bem analisar,

As palavras que pestanejaste.

 

Fico sem saber o que dizer

Nem explicar o que faço.

Como te farei entender

Que o amor se faz passo a passo.

 

Não é vivendo no passado,

Nem temendo o que trará o futuro.

Construi-lo-ei contigo ao lado,

Ou tudo será muito prematuro.

                       VII

Pensa bem que o amor

Não são palavras bonitas

Que possa dizer com fervor,

E só para te agradar serão ditas

 

O amor são os factos

Que com sinceridade

Pratico em todos actos

Com ternura e lealdade.

 

Ouve, nunca me peças,

Que te diga “eu amo-te”

Pode ser que te impeça

De ouvires o “eu engano-te”.

 

Àqueles que em simples actos,

Mostram todo o seu interior

Pensa bem se naqueles factos

Não estará o meu amor.

 

Nunca retribuas como pagamento

O que te dou desinteressadamente.

E com todo e inteiro sentimento

Mostra que te amo inteiramente.

 

Eu, que penso que sei o que é amar,

Sei também certamente compreender

Que quem tem verdadeiro amor para dar,

Alimenta-se do amor que receber.

 

Quero amar-te, sem fingimento,

Sem palavras falsas que nos firam.

Quero amar-te a qualquer momento,

Em todas as horas que nos esperam.

 

Não peças que te ame eternamente

É um pedido a que não sei responder.

Se sim, ou se não, errarei certamente,

Não sei o que o futuro nos vai trazer.

 

Supondo que em algum momento

O amor que te tenho vier a morrer,

Dir-to-ei com todo comedimento

Que amares sem ser amada é só sofrer.

 

As circunstâncias, que ditam a verdade,

Alteram-se e modificam tudo não é?

Não te esqueças que sem liberdade,

Não há amor que se mantenha de pé.

 

A liberdade é imprescindível no amor.  

Sem liberdade ele morre, torna-se prisão.

Restam muitas lágrimas, amargura e dor.

A rasgar como faca afiada um coração.

 

Neste momento que me abro aqui

Peço-te que não te deixes escolher.

Não permitas que olhem para ti

Uma flor de florista que todos vão ver.

 

Não distribuas ao desbarato o teu amor,

Dá-o apenas a quem amares realmente.

Procura saber, seja a pessoa que for,

Se é o que é, ou se é outra diferente.

 

Então sim, entrega-te e ama plenamente.

Não penses que vais viver o amor ideal,

Se ele existir, como dizem, realmente.

Zé Onofre

 

 

 

 

 

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