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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

09
Nov22

Dia de hoje - 73 - Canto triste IX

Zé Onofre

           73

Canto triste IX

 

022/11/08

 

A primavera de Abril foi bonita de viver

Tão depressa avançava como estava a retroceder.

Para mim acabou a arte de se sonhar

Parece que Fascismo se disfarçou para a matar.

 

Não há cantores na rua a alegrar a caminhada

Por mais gente que vá na rua sinto-a muito acomodada.

De que vale haver um motivo para o povo se revoltar

Ter vontade de o fazer e não ter com quem a partilhar?

 

Passo horas à escuta, à espera de ouvir.

Tudo à volta é silêncio não sei para onde ir.

Vejo agora aqueles dias que não soubemos usar,

De manhã ouço um sábio – Nada há para mudar.

 

 

Vou por aí abaixo a chamar a todas as janelas

Pelas avenidas, ruas, veredas e vielas.

Companheiro, a primeira tentativa morreu de sede

Vem daí, vamos juntos escaqueirar esta parede.

 

Não vês que ser escravo em lei alguma está disposto,

Tens de lutar por um futuro que raie com novo rosto.

Porque não é, por ser como é, que tenha de ser assim

Há ainda uma revolução para mudar o mundo, sim.  

   Zé Onofre

 

 

 

30
Out22

Canto triste I

Zé Onofre

   Canto triste I

 

022/10/10

 

Pergunto aos jovens cantores

Que me dizem sobre o meu país?

Só os ouço em cantigas de amores

Uns são tristes, um outro quase feliz.

 

Mas sentados à mesa do café

Ouvem-se sussurros de desilusão.

Mas estes sussurros, saiba-se lá porquê,

Não são tema nem para uma canção.

 

Parece que os dias tristes trazem

Um amargo de boca aos cantores.

Será que quem futuro não tem

Merece só canções de frívolos amores?

    Zé Onofre