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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

30
Abr22

Por aqui e por ali 110

Zé Onofre

                110

 

998/09/18

Alameda Teixeira de Pascoais, Amarante

 

Não sei se é esta angústia

Que me desespera.

Ou se desespero desta espera de nada esperar.

Não sei

Se as palavras de desespero,

Que uma a uma escrevo,

São sinal de desespero,

Ou apenas palavras desesperadas.

 

Não sei se as palavras

Ainda servem para unir,

Ou se já nem unem, nem separam,

Apenas balões de ar

Que o vento leva.

Não sei

Se foram as palavras que perderam

A magia, o sonho e o espanto,

Ou se fui eu que me esqueci de me maravilhar.

 

Não sei se esta mágoa

É mágoa verdadeiramente sentida,

Ou apenas mágoa fingida

De quem a já nada pode magoar.

 

Não sei se são as palavras

Que perderam o sentido,

Ou se sou eu que já não as sabe usar.

   Zé Onofre

16
Ago21

Souto 36

Zé Onofre

              36

 21/05/975

No longe e no perto de mim mesmo

Encontrarei um amanhã,

Certamente diferente,

Dos amanhãs que vivi.

 

Aqui,

No longe de hoje

Encontrarei decerto

Um amanhã perto,

Ainda que diferente

Do amanhã que foi hoje.

 

No desânimo de uma hora

Encontrarei aqui e agora,

Ou pelo amanhã fora,

Uma certeza.

Uma certeza que será boa

Se me fizer sentir,

Ao longe ou perto,

A razão de um sorriso.

 

No desespero de um minuto,

Longo ou curto,  

Encontrarei a certeza,

Que não será absoluta,

De me sentir,

Longe ou perto,

Do que procuro

E encontrarei por certo.

 

No hoje perto,

Ou no longe amanhã

Espero

Que quando não houver

Hoje longe,

Nem amanhã perto,

Encontrarei o que sou.

Quando não houver distâncias

No caminho percorrido,

Entre o longe e o perto.

 

Assim,

Com o caminho percorrido

Enfrentarei o sentido

Para poder dizer

O tempo já foi vivido,

O caminho por fazer

É para viver.

Zé Onofre

15
Jul21

Souto 11

Zé Onofre

11

30/09/973

Que fazer

Da solidão e do desespero.

Da angústia e do desatino,

Do nada e da plenitude,

Um novo amor?

Que fazer

Das palavras sentidas

Longamente perdidas,

No sem fim de rumores,

No eco dos rumores,

Nos uivos e nos gritos,

Na vozearia e da gritaria,

Nas curvas da louca mente,

No troar permanente,

Nos confins do mundo,

No mar profundo,                                 

Nos areais açoitados pela ventania,

Um novo amor?

Que criar entre mim e ti, entre nós,

Com o perdido e despedido,

O trucidado e aboquejado,

O desfeito e rarefeito,

O contrafeito e imperfeito,

O desiludido e temido,

O negado e estraçalhado,

O falado e calado,

O dito e contradito

Amor?

Inventar tudo de novo?

  Zé Onofre

02
Jul21

Souto 5

Zé Onofre

5

07/07/972

 Novos caminhos.

Que caminhos?

Qual o trilho?

Pescado no saco da sorte e do azar.

Trilho

Em direcção à vida,

Em direcção à morte,

Ou a lado nenhum.

Trilho

Que me leva

À fonte da vida,

À fonte da morte,

Ou a lado nenhum.

Trilho que me leva

À fonte da Esperança,

À fonte do desespero,

Ou a lado nenhum.

Novos caminhos.

Caminhos longos, tão longos

Que em algures

Numa reta, numa curva,

Ou num solavanco do piso,

Guarda o por desvendar.

Caminhos novos,

Ou caminhos velhos?

Caminhos perdidos,

Trocados,

Com futuro,

Abertos,

Fechados.

Na lonjura dos tempos futuros

Nada de novo,

Apenas sombras,

Vindas

Sabe-se lá de onde

De que curva do passado.

No verde dos prados,

No crepúsculo,

Na aurora,

Nada senão o verde,

A luz a fugir para além do mar,

A luz a surgir por detrás dos montes.

Cheguei aqui.

Por que caminhos?

Por que Sonhos?

Por que pesadelos?

Por que artes mágicas?

Cheguei aqui.

    Zé Onofre

 

 

 

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