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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

12
Mai22

Por aqui e por ali 121

Zé Onofre

121

 

2002/02/11, confeitaria Mário, Amarante

 

Águas correntes,

De mistérios profundos,

Levai-me as lágrimas,

De homem falhado,

Até aos confins do mundo.

 

Mostrai-lhes,

A cada uma por si,

As grandezas do abismo,

Levai-as além do mar

Onde, dizem,

As praias são morenas.

 

Águas correntes do rio,

Espelho movediço do meu olhar,

Cumpri, serenas, o vosso destino

Traçado desde a primeira vez

De, eternamente, correrdes até ao mar .

 

Águas correntes do rio

Não pareis para olhar

Os meus olhos.

 Zé Onofre

03
Ago21

Souto 19

Zé Onofre

              19

05/12/974

               I

 Procurei-me,

Um dia,

No espelho dos outros.

Apenas encontrei

O que de mim deixo ver.

Não consigo observar,

Pormenorizadamente,

O por desvendar,  

Se os escondo frente ao espelho.

Isto é uma constante

De ano que se sucede a outro ano

Dos dias sem fim

Até que algo morra

E caia na sua cova.

E desse buraco fundo,

Do fosso da inconsciência

Surjam novas contingências,

Novas probabilidades,

Novos factos

De que nasça

Um novo homem em construção.

                       II

Hoje

Dia em que escrevo

Estas mal pensadas palavras

Ficará expresso

O que fui,

Já não sou,

Um futuro eu

De que não conheço rota

Nem coordenadas,

Portanto irrealidade.

Se me observo

Desastre de mim mesmo,

Serei tudo,

Menos este

Que escrevo.

   Zé Onofre

23
Jul21

Souto 17

Zé Onofre

               17

 25/11/974

                    I

Procuro-me incansável

Por entre os factos do dia-a-dia

E encontro

Sempre a mesma imagem desamparada.

Procuro-me insistentemente

No espelho do que fiz

Derrotas e humilhações

E vejo-me pessimista.

Prendo-me ao passado,

Cadeia que me enreda

Em algumas certezas,

Muitas incertezas,

E vejo

Um ser melancólico.

               II

Cada lágrima é uma lápide

A cada glória desperdiçada.

Olho,

Vejo-me cheio de raiva

Pelos factos que me mostro

E que jamais fiz.

Entretanto

Os outros não me veem

Como imagem falsificada

De mim próprio.

Quando no meu quarto,

Tendo-me como companhia única,

Sinto em mim um desistente

Incapaz de desistir

Por inércia

E na esperança

Que novas forças

Me venham arrancar

A este torpe,

Estéril,

Inútil,

Viver

  Zé Onofre

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