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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

01
Jan23

Dia de hoje 86 - Canto triste XV

Zé Onofre

                 86

023/01/01

Mais um ano se passou,

Neste cemitério retangular,

Onde nenhum fantasma se levantou,

Onde nenhum fantasma ousou cantar

A injustiça terrível que os sepulta

Com mentiras doces e nossa culpa.

 

Um novo ano vai começar

Neste cemitério florido

Onde os mortos-vivos vão chorar

O seu futuro há muito perdido.

Não se ouve uma única voz

A chamar à luta todos nós.

 

Um novo ano que se levanta,

Neste cemitério à beira-mar.

Feliz ano novo, a rua canta,

Como se tudo caísse do ar.

Nós, os morto-vivos, levianamente 

Festejamos como criança inocente.

   Zé Onofre

 

 

09
Jun22

Por aqui e por ali 146

Zé Onofre

                146

 

018/10/06, Livração

 

Sons e palavras,

Sons e silêncios.

Fantasmas do passado,

Vindos de lá do início do tempo,

Em que os Homens

Inocentes viviam

No ser que eram,

Desconhecendo o ter.

 

Sons e silêncios,

Fantasmas dos tempos

Que foram seguindo

Levando na sua corrente os Homens

Que somos hoje.

 

Silêncio puro

Que transformamos em monstros

Palavrosos

Que manipulam e enganam,

Que nos engolem e nos excretam,

Lixo que somos.

 

Agora os fantasmas somos nós,

Aqui e agora,

Sombras que pensamos viverem.

Não passamos de mortos a brincar de vivos.

  Zé Onofre