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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

08
Nov21

Por aqui e por ali 5

Zé Onofre

               5

 

980/12/11, Gouveia, MCN

 

Senhor professor,

Creio em si,

Gosto de si,

Mas aborrece-me tanto!

Despeja palavras,

Palavras, palavras

Sobre os meus ouvidos.

Pobres ouvidos,

Os meus.

Ontem,

Por exemplo ontem,

Falei-lhe …

Falei-lhe das minhas galinhas

Que comem milho,

Que põem ovos …

E do galo

Que canta ao amanhecer.

Falei-lhe…

Falei-lhe do meu porco 

Que engordou no Verão

E hoje está morto.

 

Não te dão o pão

Que te roubam

No dia-a-dia.

Não te cobrem o frio,

Nem te aliviam o calor

Que padeces

De sol-a-sol.

Não te ensinam

A vida

Que te sugam sem parar.

De real,

Nem o sonho

Te permitem.

Apenas,

Apenas te oferecem

Ilusões.

Mastigas,

Nas chicletes

A fome

 Por matar.

  Zé Onofre

07
Set21

Penafiel 14-15-16-17

Zé Onofre

                 14

17/04/976

Morte à morte,

Morra o sonho

Que cria ilusões.

Morra a vida

Que cria sonhos.

Morra a Terra,

Morra!

Viva,

A vida livre

Liberta

De sonhos

Ilusões.

Viva o sonho,

Sempre!

                 15

05/05/976

Ó alegria

De ser

Se.

Ó dor

De se

Ser

                 16

06/05/976

Em qualquer canto,

Em qualquer esquina,

Em qualquer rua,

Em qualquer mar,

Se se souber olhar

Os homens sem serem sombras,

As ilusões

Sem serem pedras.

                 17

07/05/976

Se!

Há tantos ses

Escondidos

Nos cantos

De cada um.

Se!

Tantos ses

Perdidos

Nos dias

Hoje

     Zé Onofre

21
Jul21

Souto 16

Zé Onofre

             16

 18/11/974

I

Perco-me

Na memória de mim

E na dos outros.

Não sei se nasci ontem

Se nasci hoje

Se estou ainda por nascer.

Faço-me

Hoje,

Todos os dias,

Marco de mim mesmo.

Ora sou ontem,

Ora me futuro amanhã.

Perco-me

Na memória de mim

E na dos outros,

Todos os dias

Me construo diferente.

Imagem sonhada,

Ou moldada

Pelo meu querer inconsciente.

A memória de mim

É sempre alterada

Pela memória dos outros.       

                      II

Sendo eu,

Ou sendo outrem,

Não importa,

Seja ou o que for

As ilusões nascem-me como cogumelos.

Também a saudade

- Sempre a mesma palavra –

Se veste de recordação do passado,

Ora se enfeita de recordação do futuro,

Ou memória

Do que se não fez

E já não se pode fazer,

Ou esperança de encontrar

O que sequer se imaginou.

Saudade,

Que me prende ao passado,

Que me faz reviver o que fui,

E doentiamente o que não fui.

                     III

Sempre.

Procura permanente

De formas diferentes

De uma solução

Que crio,

Recrio,

Invento,

Destruo,

Endeuso,

Construo

E destruo.

A minha memória,

Factos de derrota,

De incertezas,

Desesperança de vencer.

A memória

Que me diz

Sentimental,

Rude,

Sensível,

Grosso,

Inteligente

E ininteligível.

       Zé Onofre

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