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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

26
Mai22

Por aqui e por ali 135

Zé Onofre

               135

 

015/01/03

 

Meu sonho de Tâmega,

A desaguar no Mississípi,

De águas salgadas cavalgantes,

Mortas nestas margens verdes 

Do Tâmega cada vez mais pequeno

E cada vez mais longínquo.

 

Meu sonho de calcorreador de mundos,

De planícies e de montanhas,

De nascentes e de fontes,

Soterrado nas margens desta estrada,

Que com os meus olhos alcanço,

Do alto deste monte

Cada vez mais pequeno,

Cada vez mais longe.

 

Meu sonho de guerreiro,

Che Guevara de novas Cuba

Morto na curva de uma estrada

A vigiar fantasmas

Que com astúcia e crueldade,

Nos empurraram lá para trás

Para os escombros do passado.

 

Meu sonho de mudar o mundo

Com a palavra, o sonho e a magia.

Meu sonho de ser Luzeiro,

Ser Freinet destes tempos,

Ser Brecht de novos palcos,

Ser profeta de novos mundos,

Caídos de inanição na margem da vida.

 

Meus sonhos,

Que azar o vosso

Serdes sonhados por mim.

    Zé Onofre