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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

30
Abr22

Por aqui e por ali 109

Zé Onofre

                    129

 

998/04/05

 

Quem?

Quem, e vindo de onde,

Nos veio roubar a esperança de sonhar?

 

Quem?

Quem, e vindo de onde,

Nos veio tirar a esperança de mudar?

 

Quem?

Quem, e vindo de que matadouro,

Decretou a morte dos sonhos?

 

Quem?

Quem, e vindo de que espécie de carcereiros

Ousou aprisionar as ilusões?

 

Quem?

Quem, e vindo de que degredo

Ousou sequestrar os sonhos,

No sótão das velharias,

No recanto dos brinquedos perdidos?

 

Quem?

Quem, e vindo de que passado obscuro

Nos enviou para este falso presente?

 

Quem?

Quem, de mente tresloucada,

Ousou dar-nos por presente,

Esta  vida de vil tristeza e solidão? 

       Zé Onofre

23
Fev22

Por aqui e por ali 63

Zé Onofre

               63

 

sd

 

Não procuro a morte

Porque a achei.

Aqui estou eu

Sentado,

Sentado,

Sentado.

 

Só me faltam os chinelos

- Tenho os pés descalços -

Só me faltam os chinelos

E uma careca luzidia,

Para que procurar a morte?

 

Sim eu,

Eu, que jurei não morrer

Aqui estou

Abjurando.

 

Sim,

Este mesmo

Que fez promessas de juventude eterna,

Sim.

Eu,

Que já nem me revolto.

Este

Que sonhava,

Sonhava,

Sonhava…

 

Rezem-me pelo corpo

A alma,

Essa,

Já morreu.

  Zé Onofre

23
Out21

Penafiel 69

Zé Onofre

                  69

 

___/04/978

 

Uma das criaturas

Está

Lá ao fundo

Sentado na cátedra

Bispo da ignorância

E da flatulência.

 

Está

Lá ao fundo

Com ar inteligente

De quem tudo sabe,

Tudo entende

Macaco da sabedoria.

 

Está

Lá no fundo

Sentado

Com seu ar estudado

Pide da inteligência.

 

A outra das criaturas

Falou.

Das baboseiras que disse

Palavras plenas de bafio salazarento

Destilou veneno.

 

A repressão,

Velho bolorento,

É sempre a repressão

Que chicoteias

Em cada palavra silabada.

 

A repressão

Que sibilas

É a tua essência,

Não é vento esporádico

Que sopras por acaso.

 

Olho-vos e oiço-vos.

Desespero da vida

Na dor da morte.

Só a loucura

Na aurora da noite

Me mantém Lúcido.

Vós sois a morte

No jardim dos vivos.

Zé Onofre

07
Set21

Penafiel 14-15-16-17

Zé Onofre

                 14

17/04/976

Morte à morte,

Morra o sonho

Que cria ilusões.

Morra a vida

Que cria sonhos.

Morra a Terra,

Morra!

Viva,

A vida livre

Liberta

De sonhos

Ilusões.

Viva o sonho,

Sempre!

                 15

05/05/976

Ó alegria

De ser

Se.

Ó dor

De se

Ser

                 16

06/05/976

Em qualquer canto,

Em qualquer esquina,

Em qualquer rua,

Em qualquer mar,

Se se souber olhar

Os homens sem serem sombras,

As ilusões

Sem serem pedras.

                 17

07/05/976

Se!

Há tantos ses

Escondidos

Nos cantos

De cada um.

Se!

Tantos ses

Perdidos

Nos dias

Hoje

     Zé Onofre

10
Ago21

Souto 29

Zé Onofre

29

19/03/975

Longe da vida,

Longe da morte,

Ave perdida

Ao acaso da sorte.

 

Longe do sonho.

Longe da realidade,

Homem bisonho

À procura da verdade.

 

Longe do sonho.

Longe da morte.

Homem bisonho

Ao acaso da sorte.

Longe da realidade.

Longe do sonho.

Ave perdida

À procura da verdade.

 

Longe da realidade.

Longe do sonho.

À procura da verdade

Homem bisonho.

 

Longe da morte

Ave perdida,

Ao acaso da sorte

Longe da vida.

 

Na realidade

Homem bisonho

À procura da verdade

Longe do sonho.

 

Longe da vida

Longe do sonho

Ave perdida

Homem bisonho.

 

Longe da morte

Longe da realidade

Ao acaso da sorte

À procura da verdade.

 

Homem bisonho

Longe da vida

Longe do sonho

Ave perdida

 

Ao acaso da sorte

Longe da realidade

Ao acaso da sorte

Procuro a verdade.

 

Longe do sonho

Ave perdida

Homem bisonho

Longe da vida.

 

Na realidade

Ao acaso da sorte

À procura da verdade

Longe da morte.

  Zé Onofre

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