Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

12
Set22

Histórias para aprender a ler e escrever - Livro I - O ouriço mágico

Zé Onofre

O ouriço mágico

OURIÇO MÁGICO.jpg

Havia, para além do lugar

Onde o Judas perdeu as botas,

Uma aldeia que era conhecida

Apenas por há muito se contar

Que, lá na aldeia do Outeiro,

Uma vez por outra no Souto

Caía no chão um ouriço mágico,

Vinda do mais alto castanheiro.

 

Nunca alguém tinha visto o tal ouriço.

Contudo todos afirmavam convictamente

Que não era por nunca se ter visto,

Que o ouriço mágico não existia.

Afirmavam, os da aldeia do Outeiro,

Que o tal ouriço mágico era como o vento,

Não era alcançado pelo olhar do homem,

Todavia conhecia-se pelos seus efeitos.

 

Um dia, um dos forasteiros descrentes,

Estava com os amigos do Outeiro,

Gozando os últimos raios de sol de outubro,

Enquanto apreciavam um café quentinho.

Lá ao fundo do caminho vinha um tal de Zé,

De natural rapaz alegre e desenvolto,

A andar de manso a apertar um dedo da mão,

Com um olhar perdido fora do Mundo.

 

Passou pelo café nem saudou os presentes.

Apertando fortemente o dedo que parecia ferido,

Em direção lá para o fim do caminho,

Onde olhou aparvalhado para uma janela.

Diz com ar matreiro o da aldeia do Outeiro

Para o incrédulo companheiro do sol e café.

– Olha meu amigo, tenho a certeza que ali,

O nosso amigo topou com um ouriço mágico.

– Deixa-te de tretas e de me dar música.

Explica lá como sabes que o Zé topou o ouriço?

– Dois sinais tu os viste, mas não sabes como

Os interpretar. Primeiro apertava bem um dedo

Que lhe causava dor. Outro o olhar aparvalhado.

Agora repara na janela de que nunca tira o olhar.

Com muita atenção olhou e viu fugidiamente

Que na janela apontada estremecia uma cortina.

 

De seguida abre-se uma cancela de onde, escusa,

Surge uma bela moça, Anita, de cabelo ao vento.

O Zé aproxima-se da beldade esperada,

Com timidez toca-lhe levemente na mão.

Como que combinados o Zé solta o dedo.

A mocinha com delicadeza pega no dito

Que o rapaz envergonhado lhe estendia.

Com dedos delicados tirou-lhe do dedo um pico.

 

– Então meu amigo renitentemente incrédulo,

Diz-me o que realmente pensas do que viste.

– Que te hei de dizer. Um acontecimento estranho,

No mínimo, o que se passou. Uma rapariga bela,

Deixa a janela onde estava e vem ao caminho

   Tirar o que parecia um espinho do dedo de uma mão.

– Pois meu amigo digo-te que há magia no ar,

Produzida pelo ouriço mágico da aldeia do Outeiro.

 

Se não acreditas nesta magia do ouriço mágico,

Que sequer o pobre do Zé viu, garanto-te, contudo, que

Sentiu bem sentido o seu efeito. Há meses que ele

Espreitava a Anita atrás da cortina da janela.

Nunca tinha tido coragem de lá parar. Passava lá dia

Atrás de dia, sempre apressado, sem um olhar direto.

Hoje, após a picada do ouriço, foi o que se viu.

O ouriço mágico do Outeiro fez outro casamento.

 

Desenvolvimento

Frase – Ex.: Na aldeia do Outeiro havia um ouriço mágico .

Proceder como nos textos anteriores

Zé Onofre