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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

10
Ago21

Souto 29

Zé Onofre

29

19/03/975

Longe da vida,

Longe da morte,

Ave perdida

Ao acaso da sorte.

 

Longe do sonho.

Longe da realidade,

Homem bisonho

À procura da verdade.

 

Longe do sonho.

Longe da morte.

Homem bisonho

Ao acaso da sorte.

Longe da realidade.

Longe do sonho.

Ave perdida

À procura da verdade.

 

Longe da realidade.

Longe do sonho.

À procura da verdade

Homem bisonho.

 

Longe da morte

Ave perdida,

Ao acaso da sorte

Longe da vida.

 

Na realidade

Homem bisonho

À procura da verdade

Longe do sonho.

 

Longe da vida

Longe do sonho

Ave perdida

Homem bisonho.

 

Longe da morte

Longe da realidade

Ao acaso da sorte

À procura da verdade.

 

Homem bisonho

Longe da vida

Longe do sonho

Ave perdida

 

Ao acaso da sorte

Longe da realidade

Ao acaso da sorte

Procuro a verdade.

 

Longe do sonho

Ave perdida

Homem bisonho

Longe da vida.

 

Na realidade

Ao acaso da sorte

À procura da verdade

Longe da morte.

  Zé Onofre

04
Ago21

Souto 20 e 21

Zé Onofre

          20

17/12/974

                 I

São extensas as noites.

São alegres os dias.

São frias as alegrias.

São tristes as noites.

Sempre me procuro

Nessas teias

Como um fantasma

À procura desesperado

De materialidade.

Procuro nas lonjuras,

Em lugares escuros

Sem me encontrar.

A sombra,

Projectada pela imagem

Que os outros percebem

De mim.

Entre alegria,

Tristezas

Construo-me

De um talvez distante

Futuro.

           II

Nesse dia futuro,

Portanto outrem diferente,

Vislumbro, por entre a névoa,

O que gostaria de ser.

Leve,

Flutuando nas ideias,

Que agora me pesam

Como um fardo,

Ou como um castigo,

Da ousadia

De querer ser eu em verdade.

Nas palavras,

Nos actos,

Nas incertezas,

Quero ser eu

Agora no presente,

Que ainda não é futuro,

Me prende,

Qual maldição,

Ao passado,

Longa galeria de vitórias,

Derrotas,

De incertezas.

         III

No passado

Encontro-me bisonho,

Irritável,

Irritante,

Pesada herança

Do que sou,

Do que vivo.

De lá de trás

Vem uma mágoa

Por cada segundo morto.

O ontem

Mistura-se com o hoje

Baralha-me o amanhã

E no espelho dos outros

Vejo-me fantasma.

Mas um mérito tem

É a imagem que eu,

Com loucura,

Ou com lucidez enviesada,

Pari.

Zé Onofre

         21

 10/01/975

                        I

 Por caminhos,

Velhos,

Ou novos,

Ou por inventar,

Tento viver a vida

Que agora será nova.

Se não for perdida,

As pessoas ladrar-ma-ão 

Mas vivê-la-ei

Longamente

Conforme quero

E não segundo padrões convencionais.

Hei-de vivê-la

Porque minha

E eu próprio a construo.

Que me importa que a ladrem?

Que a ladrem,

Que a achem risível,

Vou vivê-la.

Vou construí-la

De acordo com os meus projectos,

Apesar dos vossos cochichos

Que já fazem parte da minha vida,

Já me são essenciais.

Sois vós que me dais alento.

Em cada risada,

Em cada dentada 

Confirmais que é este o meu caminho.

Se o olhais com desdém

É porque é meu

E não é vosso,

E não tendes coragem de criar o vosso.

                          II

Um caminho,

Caminho velho,

Novo caminho,

Delineio-o como quero,

Vivo-o com o meu sangue,

Com lágrimas,

Com esforço,

Com alegrias.

Dizeis que é um erro.

O erro não existe,

São os marcos da caminhada,

Que apontam em frente.

Só um caminho,

Por muitos calcorreado,

Dispensa os erros,

Mas rouba a alegria

De o fazermos com a nossa vida

De o moldar com as nossas mãos.

Reconhecer o erro

Não é arrependimento,

É viver a vida

E saber que se vive.

E vós sabeis que viveis?

No dia que entrar pelo vosso caminho

Então ride perdidamente.

O louco morreu.

       Zé Onofre

 

 

 

20
Jul21

Souto 15

Zé Onofre

             15

15/02/974

 Retirado da vida,

Isolado das tormentas

Sofro de ausência de dor.

Vida sem dor

É esperança perdida

De encontrar porto acolhedor.

Mar alto,

Onde se caminha lentamente                         

Sobre as ondas

Ao encontro do infinito.

Mar alto,

Ondas de palavras,

Onde nos enredamos,

Nos desfazemos,

Juntamente com a espuma nas praias,

Paredes da desilusão.

Tropeçando

Nas vagas alterosas

De um mar uivante

Numa viagem aventureira

À procura dum porto de abrigo.

Passeando

Nas ondas serenas

Que em colinas redondas

Se sucedem,

Em campos de irrealidade,

Perdemo-nos de nós

E diluímo-nos

Na água imensamente.

Retirado da vida,

Isolado das tormentas

Vida sem dor

Sofrimento redobrado.

Saber-se de antemão

O caminho a percorrer,

É estar perdido

Nas certezas que nos traçaram.

Escolher caminho,

Entrar por mares das tormentas,

Cortando vagas alterosas,

É certeza de lutas incertas,

É conhecer-se perdido,

É ter a esperança

De se ser resgatado,

Com sorrisos de vencedor.

Vagas gigantes,

Com vento uivando sobre as águas,

É saber-se de antemão perdido,

É achar-se ainda de esperanças iludido,

É pensar-se ainda vivo

E sonharmo-nos eternos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mar alto,

Onde se caminha lentamente                         

Sobre as ondas

Ao encontro do infinito.

Mar alto,

Ondas de palavras,

Onde nos enredamos,

Nos desfazemos,

Juntamente com a espuma nas praias,

Paredes da desilusão.

Tropeçando

Nas vagas alterosas

De um mar uivante

Numa viagem aventureira

À procura dum porto de abrigo.

Passeando

Nas ondas serenas

Que em colinas redondas

Se sucedem,

Em campos de irrealidade,

Perdemo-nos de nós

E diluímo-nos

Na água imensamente.

Retirado da vida,

Isolado das tormentas

Vida sem dor

Sofrimento redobrado.

Saber-se de antemão

O caminho a percorrer,

É estar perdido

Nas certezas que nos traçaram.

Escolher caminho,

Entrar por mares das tormentas,

Cortando vagas alterosas,

É certeza de lutas incertas,

É conhecer-se perdido,

É ter a esperança

De se ser resgatado,

Com sorrisos de vencedor.

Vagas gigantes,

Com vento uivando sobre as águas,

É saber-se de antemão perdido,

É achar-se ainda de esperanças iludido,

É pensar-se ainda vivo

E sonharmo-nos eternos.

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