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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

17
Nov21

Por aqui e por ali 7

Zé Onofre

            7  

 

S/d

 

Por favor!

Grita uma voz desesperada

No silêncio das pedras.

 

Por favor!

Ouve-se nas trevas

Silêncios do desespero.

                                                                                                                                                                                      

Por favor!

Por favor!

   Zé Onofre

 

 

 

 

 

15
Out21

Penafiel 64

Zé Onofre

                     64

 

___/03/978

 

Às vezes,

Só às vezes

Os sons são silêncios.

Nem sempre

Os silêncios são pedras.

As pedras,

Às vezes são distâncias,

Nem sempre solidão.

De pedras são os caminhos.

De pedras é a alegria plena

Do dia-a-dia.

Às vezes a lonjura

É estar perto,

Nem que para lá chegar,

Se caminhe um infindável caminho

De pedras

Que, às vezes

São palavras amigas.

Silenciadas?

Talvez.

    Zé Onofre

01
Out21

Penafiel 48-49

Zé Onofre

                   48

 

25/11/977

 

Hoje está um dia incaracteristico.

Será que um dia incaracterístico

Tem características?

As características

Dos dias incaracterísticas

É não terem características.

 

                 49

 

29/11/977

 

As pedras.

As palavras.

As pedras calam silêncios.

As palavras calam sulcos,

Cavam rotas,

Rios,

Riachos

Nas pedras caladas

De silêncios.

O silêncio,

Grito abafado,

Dorido,

Pleno de emoções.

As palavras,

Pedras lançadas

Ao silêncio

Granítico

Dos outros.

Os outros,

Pedras gigantes,

Gritos,

Uivos,

Raiva lancinante,

Á espera,

À espreita

De um “Abre-te Sésamo”

- Cheio de alegria,

Ou de dor -

Mas que abra,

Em cada silêncio

Um rio,

Um mar

De Palavras por nascer.

 

Há silêncios nas minhas mãos.

Há gritos incontidos nas palavras

Soltas uma a uma,

Folhas outonais

De Novembro a acabar.

Há raiva nos meus dentes.

Há fúria da razão por vencer.

Há ira ensanguentada

No estilete

Da palavra.

Há sentidos

Caídos ao amanhecer.

 

Hoje queria fugir

Dos sons,

Malditas cores

Que me trespassam

Como espadas.

Hoje queria fugir

Para a selva maldita

Dos caminhos por achar.

Hoje queria fugir

- Apenas cair,

Não me levantar -

Rastejar insensível

Pelas pedras geladas

Em silêncios gratuitos.

        Zé Onofre

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