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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

07
Mai22

Por aqui e por ali 116

Zé Onofre

                       116

 

2000/08/23

 

Que venha o vento

Encher de música este verde vale.

De seguida

Venham as crianças,

De mãos dadas,

Cobrir os campos de alegria.

E venham os jovens

Descobrir

Nos seus corpos esbeltos

Os mistérios do amor.

Ao entardecer,

Que o sol espalhe,

Para além do horizonte,

Novas sementes de vida

Neste vale fecundadas.

  Zé Onofre

27
Fev22

Por aqui e por ali 64

Zé Onofre

             64

 

sd

 

O galo

Não mais cantará

A anunciar um novo dia.

 

O galo  

À meia-noite

Não mais cantará

A anunciar um novo dia.

 

O galo

Não mais cantará

A um novo sol que nasce.

 

O galo

Não mais cantará

A um novo dia,

Não mais,

Não mais.

22
Dez21

Por aqui e por ali 27

Zé Onofre

               27

 

985/09/21

 

O sol bate lá fora.

Nas águas calmas de Setembro

A dourada cor.

 

Cá dentro

A voz monótona de uma explicação,

E o riso cristalino da juventude a despertar.

 

De repente o grito da vida

Na alegria feita

De amores pacificados.

 

Hoje

Águas calmas de Setembro

Em Outubro.

Cor dourada de Setembro

Em Outubro.

     Zé Onofre

30
Out21

Penafiel 74

Zé Onofre

                    74

 

15/06/978

 

Ouve,

Nem sempre o cinzento quer dizer

Inverno.

Às vezes,

Apenas,

O cinzento quer dizer

Inverno.

No céu o cinzento,

Às vezes,

Quer dizer chuva,

Mas só às vezes.

 

Ouve,

Do cinzento nasce

O sol,

Do sol nasce a vida.

Nem sempre

O cinzento quer dizer

Inverno.

  Zé Onofre

25
Out21

Penafiel 69

Zé Onofre

                    69

 

___/04/978

 

Acordado nas sombras da noite

Pra ver o sol despertar.

Quero cantar belas canções

Para as calar nos teus abraços.

Quero sentir o teu amargo travo,

Sentir o teu sangue a correr

O teu corpo a tremer

Cobri-lo de flores e cravos.

 

Quero amanhecer-te com sorrisos,

Com sons leves de acordar,

Com a primeira luz da aurora

Ou com o último raio da estrela da manhã.

 

Quero o teu amor no crepúsculo do sol,

Quero ouvir o teu grito

Em noites de luar,

Quero cobrir o teu corpo

Com beijos de encantar.

  Zé Onofre

16
Out21

Penafiel 65

Zé Onofre

                   65

 

06/03/978

 

Que raiva

A perpassar pelos meus dedos.

Que raiva

Nas entranhas.

Que raiva,

Que loucura,

Feito vazio

Nestas horas amargas

Dum sentido por viver.

Que raiva lancinante

Nas palavras caladas

Dentro do vazio

Das horas que passam.

Lá fora, o sol.

Lá fora, os homens.

Nós aqui

Quedos,

Hirtos,

Sem som,

Nem tom,

Em horas perdidas

Pela lonjura de paredes

Frias.

A vida está lá fora.

 Zé Onofre