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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

17
Mai22

Por aqui por ali 126

Zé Onofre

                 126

 

2008/09/02

 

Bendito silêncio,

Dimensão plena do som.

Bendito silêncio,

Viagem além das nuvens e dos horizontes.

Bendito o silêncio,

Caminho para o longe de nós mesmos.

Bendito o silêncio,

Dimensão da eternidade.

Obrigado silêncio, pelo que me dás.

Obrigado silêncio, por me ajudares a manter a serenidade.

  Zé Onofre

19
Abr22

Por aqui e por ali 97

Zé Onofre

              97

 

996/05/12

 

                I

 

Quando, de repente,

O último gesto for feito,

Apenas se ouvirá o silêncio.

Um silêncio nosso,

Que o vento há de soprar,

O mar bramir,

E as estrelas continuarem.

Seremos, então,

Poeira cósmica,

Frio interestelar,

Pó no vento,

Gota de água no mar.

Que o vento há de soprar,

Depois do último gesto se executar.

 

                II

 

Quando a loucura

Se desatar em chamas

E a razão for vencida pelo medo,

Apenas teremos tempo de abrir

E já não voltar a fechar os olhos.

Quando a loucura chegar

Diremos apenas o som do ar.

Zé Onofre

08
Out21

Penafiel 57

Zé Onofre

                 57

 

11/01/978

 

Ó criança

Perdida

Nos meandros de teias

Em que te metemos.

 

És

Lampejo gritado

Nos sons da noite.

 

És relâmpago

Deslumbrante

De sons em cântico.

 

És

Presente

Espraiado

Nas margens do futuro.

 

Canto-te

Cor florescida

No chão

Semeado de pedras.

 

Canto-te

Som sofrido

No pântano

Semeado de medo.

 

Canto-te

Bem alto

Alegria que te quero

Das minhas mãos.

 

Elevamos-te

Bem alto

Alegria das nossas mãos.

  Zé Onofre               

27
Set21

Penafiel 44

Zé Onofre

 

                 44

 

28/06/977

 

Quero o sol

Em sua pureza

Líquida …

Grita o grilo

No musgo fofo.

Toda a noite

O seu cri,cri,cri

Se fez ouvir,

Grito sibilante

De vento

Nas árvores.

De manhã

O sol acordou

Em pérolas de água,

Em cristais de sons.

Foi uma sinfonia de cores

Que incendiou

A terra inteira.

10
Set21

Penafiel 23

Zé Onofre

                 23

 14/07/977

Cinco,

Gosto de ti,

Ó cinco.

Gosto da tua forma,

Do teu som,

Da tua cor.

 

Gosto de dizer

Assim mansinho

- Cinco –

Aos ouvidos das pessoas.

 

Cinco

De ti dirão

Que és um

Algarismo,

Um número

Abstracto.

 

Cinco,

O número de carros

Que fulano tem.

O número de quilómetros

Que um operário caminha a pé

Pelo alto da madrugada.

 

Cinco,

O número de quartos de banho

Forrados a ouro

Que um palácio tem.

 

O número de pessoas

Que vivem num quarto

De um bairro operário.

 

Cinco, 

Os cinco mil contos

De lucro diário

De um patrão.

O cinco centos de escudos,

Salário mensal do operário.

 

Cinco,

As garrafas de Wiskhy,

De mil escudos a garrafa

Na garrafeira do senhor da Terra.

Cinco,

Os cinco tostões

Na algibeira do mendigo.

 

Cinco,

Cinco dias de exploração semanal,

A que o patrão chama

Semana de trabalho.

11
Ago21

Souto 30

Zé Onofre

30

 20/03/975

 Hoje,

Não é hoje,

São mil dias contidos

Numa vontade de quererem ser hoje.

 

Hoje, são milhões de anos

A nós trazidos, a nós agarrados

Por outros hoje, que não foram hoje,

Mas milhões de dias contidos

Numa vontade de quererem ser hoje.

 

Hoje, é uma eternidade

De milhões de hoje.

Hoje que foram milhões de anos

Todos aqui trazidos, a nós colados,

Com outros hoje que não foram hoje,

Que foram milhares de hoje contidos,

Numa vontade de querer ser hoje.

 

Hoje, é o grito da humanidade

Que ao longo de milhões de séculos

Tem evoluído de hoje em hoje,

Que têm sido uma eternidade

De milhões de hoje

Que foram milhões de anos

Aqui trazidos e acorrentados

Nos outros hoje

Que não foram hoje

Que foram mil dias contidos

Numa vontade de quererem ser hoje.

 

Hoje

É o som dum cristal,

Que, sem espaço para cristalizar,

Resolveu nascer amiba,

E iniciar a vida

Que por caminhos imprevisíveis,

Com uma infinidade de contradições

Viu surgir o bicho Homem

Que hoje

Se tenta libertar,

Que tem vindo a descobrir

Que num hoje qualquer

Na plenitude do tempo,

Na largueza do espaço,

Acabará por cristalizar.

  Zé Onofre

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