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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

18
Mai22

Por aqui e por ali 127

Zé Onofre

                 127

 

011/02/12, EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

Olhemos as páginas escritas.

Nelas nada há de sonhos,

Nada há de mistérios,

Nada há de aventura.

 

Corramos pelas páginas brancas

Em busca do vento,

Em busca das labaredas,

Em busca do infinito,

Em busca do desconhecido.

 

Se de repente

Na esquina alva

De uma linha por escrever,

Nos aparecer a luz,

Nos surpreender uma sombra,

Tropeçarmos numa mágoa,

A subtileza de um amanhã,

Teremos então a certeza

– A viagem não foi em vão. –

  Zé Onofre

26
Abr22

Dia de hoje 105

Zé Onofre

                   105

 

997/06/14

 

Regresso

 

Hoje regressais ao passado.

Cada um de vós vieste ao encontro

Do vosso passado.

Hoje, cada um de vós visita,

Revisita as suas ilusões,

As suas esperanças,

Os seus sonhos.

Hoje regressais

Aos vossos vinte anos.

Aos vinte anos de cada um.

Em sorrisos, risos, de olhos perdidos,

Olhando-vos uns aos outros de longe,

Recordais, não o mesmo passado

Que em comum a vida por acaso vos deu,

Mas o passado que cada um construiu,

Ano após ano, dia após dia.

Um passado

Que cada um de vós construiu

À medida dos vossos sonhos,

Ou à medida do que a vida permitiu.

Passaram vinte e cinco anos.

E com eles muitos outros valores se alteraram.

Sonhos e esperanças,

Alegrias e tristezas,

Saudades, fantasias,

Desesperos, Melancolias.

É com estas vestes que hoje,

Vinte e cinco anos depois,

Regressais a um passado,

Em que o acaso vos juntou,

Num momento e num espaço.

Cada um de vós vem arranjado

Com as vestes

Que a vida lhe proporcionou.

   Zé Onofre

20
Abr22

Por aqui e por ali 98

Zé Onofre

                  98

 

996/11/24

 

De repente sinto que o Natal

Morreu dentro de mim.

 

Que caminhos percorri,

Que sonhos desperdicei?

 

Tudo sabe a esforço,

Voluntarismo,

Racionalidade.

Tudo é

Porque tem de ser.

 

Já nada é

Sonho ou alegria,

Revolta ou ousadia.

Tudo é razão, razão, razão.

 

Em que canto,

Em que esquina,

Em que parte de mim próprio me perdi?

  Ze Onofre

17
Abr22

Por aqui e por ali 96

Zé Onofre

                 96

 

996/05/12, visita a uma amiga instalada no asilo, Amarante

 

Aqui estão parados,

Simulando que vivem.

Aqui estão a viver um tempo

Que não existe,

A gastar um sopro 

Que está suspenso.

Aqui estão

Envoltos num passado,

Num presente suspenso

Que não terá futuro.

Aqui estão desertos de sonhos,

Suspensos do tempo,

Ausência do hoje,

Sem possíveis amanhãs.

  Zé Onofre

07
Abr22

Por aqui e por ali 88

Zé Onofre

              88

 

995/03/20, acção de formação – Educação Física, Marco de canaveses

 

Jogar

Com palavras,

Com sonhos,

Com brincadeiras

Apenas de brincar

 

Sonhar palavras

Como quem semeia ilusões.

Fazer de conta

Que se é criança ainda e sempre.

 

Bola de trapos

Retrato possível do passado.

Luz, som,

Imagem invenção

De corpos em desalinho,

A saltar,

A correr,

Memória-vida

Vivida ao amanhecer.

Zé Onofre

 

 

06
Abr22

Por aqui e por ali 86

Zé Onofre

                  86

 

995/03/15

 

Imagens e sons de amor.

Palavras

Que falam de carinho, de amizade,

Da alegria das coisas simples,

Da alegria

De dar vida à nossa vida.

 

Palavras

Que falam do desperdício,

Que são os sonhos perdidos

No supérfluo.

 

Gestos simples,

Canções simples,

Palavras simples,

Dar vida à vida

Com a nossa vida.

 

Construir o sonho

Com mãos vazias.

Tão simples.

Tão belo.

  Zé Onofre

29
Mar22

Por aqui e por ali 76

Zé Onofre

          76

 

sd, sl

 

Que é feito dos teus sonhos?

Que é feito dos teus segredos?

Que é feito dos teus sonhos?

Que é feito dos teus longes?

Já os perdeste

E ainda o caminho é tão perto

 

Os sonhos que sonhaste,

Tens a certeza de que os sonhaste?

Os longes que imaginaste,

Tens a certeza que os imaginaste?

Ou apenas ficaste perto nos sonhos?

Ou apenas ficaste aquém nos longes?

Vá,

O sonho é sempre possível,

O longe é amanhã.

 

O riso é importante.

Não esqueças as lágrimas que correm.

Que correm no fundo de ti mesmo.

   Zé Onofre

14
Jan22

Por aqui e por ali 42

Zé Onofre

                 42

 

988/03/21, escola de Portela, Aboim AMT

              

                 I

 

Como estranho caminho entre as pessoas.

Passo atrás de passo, procuro, autómato

Os caminhos da vida.

 

Como estranho me deito.

Como estranho me levanto.

Como estranho vivo,

Autómato, do dia-a-dia.

 

Como estranho perpasso

Pelos dias sem fim.

 

Que desperdício de sonhos.

Que desperdício de esperanças.

Que desperdício de sonhos de encantar.

 

                II

 

Olho o longe como quem lá chegou.

E não viveu o caminho p’ra lá chegar.

Olho o longe como quem lá chegou

E nada fez para o alcançar.

Olho o longe como quem lá chegou

E está desesperado por voltar.

 

               III

 

Qual nuvem ligeira, vagueio no céu

Onde o vento me modela

A seu bel-prazer.

 

Umas vezes sonho de criança feliz.

Outras, pesadelo de náufrago

Que nem uma palha tem

A que se agarrar.

  Zé Onofre

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