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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

13
Jan23

Rebusco 9

Zé Onofre

               9

 

998/06/92

 

Sós

Caminhamos um caminho

Ladrilhado a silêncios,

Ladeado de medos

Ornamentado de luzes e alegrias.

 

Vamos e voltamos,

Falamos e calamos.

Prenhe de silêncios,

Bêbados de sons.

 

Sós

Perdidos por meandros

Feitos de medos e luzes,

De silêncios e alegrias.

 

Vamos

Acompanhados ou solitários

 

Vamos,

Talvez sós,

Porém solidários.

 Zé Onofre

09
Jun22

Por aqui e por ali 146

Zé Onofre

                146

 

018/10/06, Livração

 

Sons e palavras,

Sons e silêncios.

Fantasmas do passado,

Vindos de lá do início do tempo,

Em que os Homens

Inocentes viviam

No ser que eram,

Desconhecendo o ter.

 

Sons e silêncios,

Fantasmas dos tempos

Que foram seguindo

Levando na sua corrente os Homens

Que somos hoje.

 

Silêncio puro

Que transformamos em monstros

Palavrosos

Que manipulam e enganam,

Que nos engolem e nos excretam,

Lixo que somos.

 

Agora os fantasmas somos nós,

Aqui e agora,

Sombras que pensamos viverem.

Não passamos de mortos a brincar de vivos.

  Zé Onofre

25
Mai22

Por aqui e por ali 134

Zé Onofre

                   134

 

013/04/20, Escola de Igreja, Vila Caiz, AMT

 

Não sei, Amor,

Com que linhas te desenhar.

Linhas de penhasco afiado

A trepar por encostas íngremes,

Ou de planuras a fugir para o horizonte?

Linhas de árvore esquelética de ramos ressequidos,

Ou de árvore de mata luxuriante?

 

 Não sei, Amor,

Com que cores te hei de pintar.

Com as cores de horizonte longínquo,

Ou da paisagem para lá chegar?

Cores de seara primaveril,

Ou de trigo em Junho a ondular?

Cores de sol em auroras em montes,

Ou como sol a mergulhar no mar?

 

Não sei, Amor,

Com que palavras te dizer.

Com palavras trémulas de jovem a improvisar,

Ou com as palavras tristes de adulto a declinar?

Com palavras simples mas sinceras,

Ou com palavras douradas vazias de sentir?

 

Não sei, Amor,

Com que sons te acariciar.

Se com os da brisa fresca da madrugada,

Ou com o do sussurro do entardecer?

Se com o do vento quente do meio-dia,

Ou com o do vento gélido do luar?

Se com o do crepúsculo das estrelas,

Ou com o estrondo das rochas no mar?

 

Não sei, Amor,

Não sei.
       Zé Onofre

05
Dez21

Por aqui e por ali 11

Zé Onofre

                   11

 

1981/__/__

 

[À margem de uma acção de Formação}

 

Andamos todos à procura de milagres.

O milagre está em nós, ou não está.

---x---

O silêncio é a origem de todos os sons.

Viva o silêncio!

---x---

Compre, compre minha senhora!

Este é o Melhor!

É p’rós cegos

E p’rós surdos

É p’ra toda a miudagem.

Este é milagroso!

Compre, compre minha senhora!

---x---

Fomentemos o riso “pepsodente”,

É importante!

Não.

Mais importante

É o sorriso profundo

Da satisfação da descoberta.

---x---

Aprendo a escrever, escrevendo.

---x---

Nunca me arrependo?!

O que posso sentir é frustração?!

Zé Onofre

15
Out21

Penafiel 64

Zé Onofre

                     64

 

___/03/978

 

Às vezes,

Só às vezes

Os sons são silêncios.

Nem sempre

Os silêncios são pedras.

As pedras,

Às vezes são distâncias,

Nem sempre solidão.

De pedras são os caminhos.

De pedras é a alegria plena

Do dia-a-dia.

Às vezes a lonjura

É estar perto,

Nem que para lá chegar,

Se caminhe um infindável caminho

De pedras

Que, às vezes

São palavras amigas.

Silenciadas?

Talvez.

    Zé Onofre

08
Out21

Penafiel 57

Zé Onofre

                 57

 

11/01/978

 

Ó criança

Perdida

Nos meandros de teias

Em que te metemos.

 

És

Lampejo gritado

Nos sons da noite.

 

És relâmpago

Deslumbrante

De sons em cântico.

 

És

Presente

Espraiado

Nas margens do futuro.

 

Canto-te

Cor florescida

No chão

Semeado de pedras.

 

Canto-te

Som sofrido

No pântano

Semeado de medo.

 

Canto-te

Bem alto

Alegria que te quero

Das minhas mãos.

 

Elevamos-te

Bem alto

Alegria das nossas mãos.

  Zé Onofre               

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