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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

02
Nov22

histórias de A a Z para aprender a ler e a escrever - Livro 1 - Afada triste

Zé Onofre

A fada triste

A FADA TRISTE_0001.jpg

 

O lume crepitava na lareira,

Onde avô e neta

Afugentavam o frio

Que o vento empurrava

Pelas juntas das paredes.

 

O avô cabeceava,

A neta pedia,

Insistia,

Suplicava

Avozinho conta uma história,

Conta.

 

Como dizer não

À Fátima,

A neta mais nova,

Mesinha

Que o remoçava.

 

Esfregou os olhos,

Humedeceu os lábios,

Que a fogueira ressequira,

Com a língua

E começou.

 

No reino das Fadas.

Onde há jardins

Com flores

Com cores de todas as alegrias

Havia uma fada

Que entristecia

De dia para dia.

 

Nunca tal acontecera

Uma fada dissolver,

Com uma sombra de tristeza,

Alterar a luz suave do reino

Em nuvens negras.

Com a ameaça de uma lágrima

Fazer do orvalho da manhã,

Um dilúvio.

 

Fátima, a neta,

Ia interromper 

Porém, nada disse

Não quis quebrar o encanto

Que escorria dos lábios do avô,

Que continuou.

 

Todas, as jovens fadas,

Bateram lentamente as asas

Para a casa da Rainha.

Que asas tão tristes são essas?

 

Uma de nós,

Anda tão desalentada

Tão perdida

De todas,

Isolada.

Nada há

Que a tire do mundo

Das sombras onde desceu.

 

A rainha bateu asas

Logo seguida das suas pupilas

Ao encontro 

Da fada   

Onde a tristeza a prendera

Lá no reino das sombras.

 

Chegaram

Ao local mais sombrio,

Húmido e descolorido

Que no reino havia

Onde a pequena

Quase definhava

De melancolia.

 

Tanta sombra,

Tanta lágrima velada

De onde vem

Pequenina?

No início da vida

Com promessas de felicidade,

Minha fada menina.

 

Não estou pronta

Sei que visitei

Os que vou consular.

Adormecer bebés,

Espantar os monstros

Sob as camas das crianças,

Parar o choro de namorados

Desiludidos,

Dar ânimo a escritores

Em luta com as palavras,

Acompanhar os solitários

Sejam eles jovens,

Adultos,

Velhinhos,

Saudáveis ou doentes.

 

Sei que fiz tudo bem,

Mas agora vou estar só,

Tenho receio,

Um temor

Que, em vez de ajudar,

Faça asneira

E que tudo piore.

 

Para te dar confiança

Vais já hoje fazer um serviço

Simples de fazer

É mesmo só para perderes

Esse receio tonto

Que não tem razão de ser.

 

Vês aquele fuminho,

Lá longe

Que se eleva daquela casa

De pedras disjuntas?

Ouve bem

O serviço é ires lá,

Dar sono a uma menina

Para que descanse o avô.

 

A fada,

Que já não é a fada triste

Partiu feliz.

 

- A Fátima adormeceu

No colo do avô

Logo de seguida

O avô adormeceu também.

Foi trabalho bem feito

Não foi?

30
Out22

Canto triste I

Zé Onofre

   Canto triste I

 

022/10/10

 

Pergunto aos jovens cantores

Que me dizem sobre o meu país?

Só os ouço em cantigas de amores

Uns são tristes, um outro quase feliz.

 

Mas sentados à mesa do café

Ouvem-se sussurros de desilusão.

Mas estes sussurros, saiba-se lá porquê,

Não são tema nem para uma canção.

 

Parece que os dias tristes trazem

Um amargo de boca aos cantores.

Será que quem futuro não tem

Merece só canções de frívolos amores?

    Zé Onofre

20
Ago21

Souto 38 (Encontros, fantasias, ilusões e enganos)

Zé Onofre

                   38

                   3

Já não há cantares passeios,

Já não há vossa companhia,

Já não há os ternos enleios,

Já não há na noite alegria.

 

Recordando procuramos ver,

Na alegria que nos deste,

Se no fundo do nosso ser

Há algo, ainda, que reste.

Com mágoa forçados a dizer,

Zé, São e Céu, verdade agreste:

Já não há cantares passeios.

 

Há ainda uma ilusão que alumia

A vida que agora triste é.

A alma vive-a e cria-a

E acarinha-a com fé.

Sabendo tudo fantasia

Acordando dizemos: Zé

Já não há a tua companhia

 

Criada com grande receio

A ilusão, que em nós nasceu,

Tem a saudade como esteio.

Quando dizemos “não morreu”

Um frio corta-nos a meio.

É com dó que dizemos: Céu

Já não há os ternos enleios.

 

Que venha o vento, desolação,

Que venha dor à porfia.

Se perdemos toda a alegria

Não importa a solidão.

E entre as trevas, à revelia,

Se ouve um último grito: São

Já não há na noite alegria!

   Zé Onofre

 

 

 

 

 

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