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Notas à margem

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Textos escritos em cadernos, em guardanapos, em folhas encontradas ao acaso, sempre a propósito, nunca de propósito. isto é "vou escrever sobre isto". Não é assim que funciono.

Notas à margem

22
Mai22

Por aqui e por ali 131

Zé Onofre

                   131

 

011/05/17, Biblioteca EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

     Hora do conto

 

Falamos, falamos, …

Sons perdidos no vento, sem rumo, sem destino, sem vida.

Balões vazios, corrente de ar à procura de um destino.

Falamos, falamos, …

As palavras perdem-se num deserto de ouvintes ausentes em parte incerta.

  Zé Onofre

18
Mai22

Por aqui e por ali 127

Zé Onofre

                 127

 

011/02/12, EB2.3, Vila Caiz, Amarante        

 

Olhemos as páginas escritas.

Nelas nada há de sonhos,

Nada há de mistérios,

Nada há de aventura.

 

Corramos pelas páginas brancas

Em busca do vento,

Em busca das labaredas,

Em busca do infinito,

Em busca do desconhecido.

 

Se de repente

Na esquina alva

De uma linha por escrever,

Nos aparecer a luz,

Nos surpreender uma sombra,

Tropeçarmos numa mágoa,

A subtileza de um amanhã,

Teremos então a certeza

– A viagem não foi em vão. –

  Zé Onofre

15
Mai22

Por aqui e por ali 124

Zé Onofre

                 124

 

2003/12/11, sobre o Projecto Curricular de Turma

 

               I

 

Em papel nos fazemos,

Em papel nos enredamos,

Em papel nos perdemos,

Em papel nos anulam,

Em papel nos escondemos,

Em papel nos revelam.

 

               II

    

De papel nos vestimos,

Atrás de papel nos escondemos,

Alunos que nunca vimos,

Nem sabemos.

 

Não sabemos os teus anseios,

Na Primavera da inocência,

Não sabemos do vosso sonhar,

Nos despertares da adolescência.

 

De vós sabemos apenas

O que cegos avistamos,

Não queremos saber

O que de vós quereis que saibamos.

 

De papel nos vestimos,

Atrás de papel nos escondemos

Alunos que nunca vimos

Nem sabemos.

 

Não sabemos dos vossos sonhos,

A voar alto nas asas do vento.

Não sabemos das vossas alegrias,

No rodar inconstante do pensamento.

 

Não sabemos das vossas tristezas

Que como fumo nascem e voam.

Não sabemos das pequenas vidas

Que forjais nos dias que passam.

 

De papel nos vestimos,

Atrás de papel nos escondemos

Alunos que nunca vimos

Nem sabemos.

 

                III

 

Papel, papel, papel,

Tudo é papel.

  Zé Onofre

07
Mai22

Por aqui e por ali 116

Zé Onofre

                       116

 

2000/08/23

 

Que venha o vento

Encher de música este verde vale.

De seguida

Venham as crianças,

De mãos dadas,

Cobrir os campos de alegria.

E venham os jovens

Descobrir

Nos seus corpos esbeltos

Os mistérios do amor.

Ao entardecer,

Que o sol espalhe,

Para além do horizonte,

Novas sementes de vida

Neste vale fecundadas.

  Zé Onofre

24
Abr22

Por aqui e por ali 103

Zé Onofre

              103

sd 

Que importa,

Sim que importa,

O vento ter segredos,

Se apenas os dirá amanhã?

 

Que importa

O vento segredar

Se já não o ouço?

 

Que importa

O vento soprar

Se não sou vela nem bandeira?

 

Que importa

O vento na campina

Se a seara já é colhida?

 Zé Onofre

23
Abr22

Por aqui e por ali 102

Zé Onofre

              102

 

sd

 

O céu e o vento,

Formas torcidas,

Revolta nuvem correndo veloz

Estar só, sem nada à volta.

 

Ouvir na sala em silêncio

A chuva que lá fora cai.

Ouvir o canto do vento

Que apressado canta e se vai.

 

Cheirar a terra molhada,

A folhagem que a terra destrói,

Sentir o calor das castanhas

Que queimam as mãos, mas não dói.

 

São cores mil que inebriam

Do verde austero do pinhal

Ao cinzento fugidio das nuvens

São regressos ao pecado original.

Zé Onofre

03
Out21

Penafiel 52-53

Zé Onofre

                 52

 

09/12/977

 

Não sou poeta

Do nada.

Não sou poeta

Do tudo.

Sou apenas cronista

Do tempo que passa.

Zé Onofre

                 53

 

10/12/977

 

É longo o tempo?

É curto o espaço?

É apenas vento

No intervalo

De um espaço.

 Zé Onofre

02
Out21

Penafiel 50

Zé Onofre

50

 

30/11/977

 

Natal

Natal.
Que palavra mágica
De enganar com ternura.
Há negociantes
Vendedores de Natal a metro.
Há velhos,
Roucos de silêncios
Nos bancos do jardim.
Há bairros de miséria,
Emparedados
Nas cercanias da opulência.
Há chuva,
Há vento,
Há sol,
Contratempo.
Há neve,
Algodão branco,
Nas montras.
Há casas de penhores
Em esquinas
De ruas esquecidas.
Vê-se lá,
A miséria do povo
À venda, nos mostruários,
As ilusões
Por uns míseros tostões.
Há casas decoradas
Com vermelhos,
Sangue,
Grito abafado
Nos corações,
De quem corre atrás do impossível.
Trabalhadores "apressadas"
Crianças, olhos arregalados
Bocas salivando,
Junto à montra das ilusões.
Há casas coloridas,
Cores arrancadas
À fome do dia a dia
De quem envergonhado,
Vai escondendo a fome que os alimenta.
Há risos,
Sorrisos,
Nas faces.
Há passos
apressados
Nas pedras dos caminhos
Há fúrias incontidas
No fundo das cores.
Há angústia,
Há raiva.
Há gente apressada
Levando amor,
Levando a paz,
Em embrulhos coloridos
Até às casas dos esquecidos da vida.
Bem sei,
É Natal...
Não deveria dizer,
Não deveria contar,
Não deveria expor
A realidade crua do outro lado do Natal.
Deveria guardá-la
No segredo
Do silêncio
Das grades dos sonhos perfumados,
Dos salões
Onde se projecta «este» Natal.

E, contudo,
Um dia fui criança.
Gostava de ir ao musgo,
À relva,
Aos galhos de árvores.
Gostava do presépio
No cantinho da sala,
De me levantar no Dia de manhã
Encontrar lá
Algum rebuçado deixado
Pelo Menino Jesus.
Gostava do presépio
Junto ao altar da Igreja
Que ajudara a fazer.
Gostava da noite "do par ou pernão",
No fim da Ceia,
À volta da lareira.
Gostava das brincadeiras
No largo da Igreja
À espera da Missa do Galo.
(Se me é permitido
Tenho saudades, mas muitas,
Desse Natal.)
Tenho saudades daquele Natal
Em que a Rosário respondeu ao Sr. Abade
- O Natal é comer!
(Por que caminhos te achaste,
Rosário?)
O que aconteceu ao "eu" rapazinho
Que tenho saudades
Das pinhas assadas no braseiro,
Do musgo fofo do monte,
Das brincadeiras na noite mágica
Da Missa do Galo,
Para agora olhar,
As gentes e as ruas,
As montras com neve de algodão,
As casas tremelicantes de luzes,
E sem ânimo,
Entre a saudade e o desespero,
Dizer
"Bem sei
É Natal.

  Zé Onofre

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